Indie Lisboa ’09 – Dia 6

(Fotos: Divulgação)

 

 

Crítico

Crítico é um documentário que procura perceber a crítica de cinema, quer do lado de quem a faz, como do lado dos realizadores e dos actores. Com grande humor são mostradas diversas opiniões sobre uma actividade que, apesar do descrédito que costuma ter associado, faz parte da indústria do cinema.

Constituído por várias entrevistas, organizadas em secções temáticas, não procura oferecer nenhuma resposta conclusiva sobre o tema, propondo antes uma reflexão sobre o tema com vários exemplos, positivos e negativos, de crítica e de reacção. É um documento fascinante para qualquer pessoa que se interesse por cinema. (7/10)

João Miranda
 


DDongpari – Breathless

Yang Ik-june, o realizador deste filme, explicou no final da sessão, quando falava com o público, que o problema da violência doméstica, apesar de ter diminuído consideravelmente, era muito comum há uma dezena de anos na Coreia do Sul. O filme mostra isso mesmo, várias famílias, unidas por uma história sobre crime organizado que já vimos várias vezes, assoladas por este mal. Pessoas que morrem, ressentimentos, vinganças, a violência é aqui apresentada como um doença social contagiosa e passada entre gerações, acentuada pela pobreza e pelo contexto da criminalidade.

É um filme bastante violento, não sendo no entanto original: é até possível fazer um jogo da contagem de clichés usados, de tantos que há. No entanto está bem filmado e é um bom primeiro filme para o realizador, que é também o produtor e o actor principal. (5/10)

 
João Miranda
 

DDongpari – Breathless

Não se pode dizer que a sociedade coreana é violenta. O que já podemos sem dúvida afirmar é que a violência faz parte do quotidiano desta sociedade, principalmente numa estrutura de respeito e disciplina, pois se ultrapassamos os limites com os nossos “tios”, é legitimo eles reagirem. Como tal, desde muito pequenos os jovens desta sociedade são confrontados com isso, o que conjugado com a competitividade como a grande arma da sobrevivência local, trás inúmeros problemas aos ditos “mais fracos”.

E “Breathless”, a primeira obra de Yang Ik-june, segue muito esse estigma coreano, focando-se na violência doméstica e nas razões que podem estar por trás dela. A disfuncionalidade familiar e uma ausência de amor, são clichés típicos que explicam as razões de todos os males, mas não deixam, por isso mesmo, de ser realmente o porquê.

E “Breathless”, apesar de dar a entender que é um filme focado numa temática simplista, é no fundo uma análise a um problema maior e global. O seu protagonista é uma “vítima” desse sistema, mesmo sabendo que um dia, como ele bem o diz, o tipo forte que dá sempre porrada vai encontrar alguém mais poderoso que ele.

Com os sentimentos à flor da pele, humor bem apaziguador no meio da violência inerente, e interpretações razoáveis dos seus actores, “Breathless” acaba por ser uma obra bem interessante, que de uma forma bizarra como Takeshi Miike o fez em “Visitor Q” – ainda que menos surreal e estilizado – demonstra que a violência e a tragédia podem muito bem refazer as fundações de famílias profundamente desreguladas. (7/10)

 
Jorge Pereira

Prince of Broadway

Lucky é um emigrante ilegal que trabalha nas ruas de Nova Iorque a vender falsificações de produtos de marca, em associação com o dono de uma loja, quando uma relação do passado lhe aparece inesperadamente pela frente e lhe deposita nos braços uma criança que diz ser dele.

De uma grande sensibilidade, evita as situações mais óbvias neste tipo de filmes com crianças e que se recusa a vitimizar ou glorificar as personagens que fazem parte dele, mostrando-as antes em toda a sua humanidade, a cometerem erros e a tentarem sobreviver nas condições em que se encontram, sem moralismos ou sentimentalismo fácil. Peca pela qualidade da imagem e do som, resultante da falta de meios e de um certo amadorismo, mas que acaba por se esquecer pela história e pelas personagens. (7/10)

 
João Miranda

Últimas