Arranca o 27° BAFICI, em Buenos Aires

(Fotos: Divulgação)

Apesar do desmantelamento dos aparelhos culturais na Argentina promovido por Javier Milei, a 27.ª edição do Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente — conhecido como BAFICI — conseguiu reunir 147 produções oriundas da capital e arredores. No total, a programação integra 327 títulos, com projecções até ao dia 26, consolidando o evento como um dos principais motores do cinema independente latino-americano.

A abertura faz-se com Orgullo y Prejuicio (2024), de Matías Szulanski. O filme parte dos bastidores de uma adaptação do clássico de Jane Austen, situada na Mar del Plata contemporânea, para construir uma sátira mordaz sobre o uso da inteligência artificial e as imposturas do quotidiano.

A produção argentina recente marca presença com La Verdadera Historia de Ricardo III (2024), de Marcelo Piñeyro, recentemente destacado no Festival de Málaga. Baseado numa peça de Adrià Reixach e encenado por Calixto Bieito, o filme reafirma a vitalidade do cinema argentino, mesmo num contexto político adverso.

Outras propostas com projecção internacional incluem El Tren Fluvial (2024), de Lorenzo Ferro e Lucas A. Vignale, e Hangar Rojo (2024), coprodução com o Chile — ambos em competição. O festival dedica ainda uma retrospetiva a Liliana Paolinelli, distinguida em Gramado com Por Sus Propios Ojos (2008), incluindo obras como Los Días de la Regla (2003), ¡Motín! (1996), El Otoño (1994), Los Pasos en la Habitación (1992) e El Circo (1989).

“Orgullo y Prejuicio” é a comédia que abre o BAFICI, nesta quinta-feira

Fiel à sua vocação de redescoberta, o BAFICI dedica também uma secção ao húngaro György Pálfi, com títulos como Taxidermia (2006) e Hen (2025). O programa inclui ainda retrospectivas de Yugo Sakamoto, conhecido por Baby Assassins (2021), e do catalão Pere Portabella, autor de Nocturno 29 (1969), Umbracle (1972) e Puente de Varsóvia (1979).

Entre os títulos com maior potencial de circulação destaca-se La Duse – A Diva Contra o Fascismo (2024), de Pietro Marcello, centrado na actriz Eleonora Duse e interpretado por Valeria Bruni Tedeschi. O encerramento caberá a Power Ballad (2024), de John Carney, com Paul Rudd e Nick Jonas.

Na competição internacional de 2026 figuram títulos como Forêt ivre (2024), de Manon Coubia; Nosso Segredo (2024), de Grace Passô; Hair, Paper, Water… (2024), de Nicolas Graux e Minh Quy Truong; Banho Maria (2024), de Gabriel Faccini; Las visitas de Camilo (2024), de Itatí Olmedo; Los vencedores (2024), de Pablo Aparo; Monstruo madre (2024), de María Canale; Queda en mí (2024), de Rafael Nir; Le Tour de Canada (2024), de John Hollands; Linka Linka (2024), de Kangdrun; La lucha (2024), de José Alayón; Ningú borda (2024), de Júlia Coldwell Serra; No Skate! (2024), de Guil Sela; Un balcon à Limoges (2024), de Jérôme Reybaud; Tuesday Women (2024), de Imaad Shah; Reza Scottish (2024), de Alireza Masoumi e Alireza Eliasi; Sciatunostro (2024), de Leandro Picarella; La peluca (2024), de Emiliano Rocha Minter; The Son and the Sea (2024), de Stroma Cairns; Sorella di clausura (2024), de Ivana Mladenovic; Folds (2024), de Katya Skakun; À bras-le-corps (2024), de Marie-Elsa Sgualdo; Easter Day (2024), de Mykola Zasieiev; e Bicho (2024), de Nicolás Sequeira e Diego Acosta, além dos já referidos El Tren Fluvial (2024) e Hangar Rojo (2024).

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