Júris paralelos da Berlinale coroam filmes do México, EUA, Brasil, Alemanha e Paraguai

(Fotos: Divulgação)

Retratos multiculturais de inclusão e resiliência de diferentes continentes destacaram-se na atribuição dos prémios dos júris paralelos da Berlinale. Houve um destaque para o cinema de língua portuguesa, com morada no Brasil. O Prémio do Público Leitor do Tagesspiegel foi entregue a “I Built A Rocket Imagining Your Arrival”, de Janaína Marques, que narra o percurso de uma filha e de uma mãe para preservarem a memória de um amor familiar. O título que mais recebeu distinções foi o thriller alemão “Prosecution” (“Staatsschutz”), de Faraz Shariat, no qual uma procuradora leva a tribunal um caso de racismo de que foi vítima. “O cinema ensina-nos a ver pelos olhos dos outros”, diz Shariat.

Único filme da América Latina em competição, Moscas, do mexicano Fernando Eimbcke, foi distinguido com o Prémio do Júri Ecuménico pelo retrato de um rapaz que procura a cura para a mãe, hospitalizada com uma doença terminal, e que, durante a espera, estabelece uma relação com a proprietária do apartamento onde está alojado. Ao receber o prémio, Eimbcke mencionou o conflito no Médio Oriente.

“Todo e qualquer reconhecimento dado a um filme amplia o alcance que ele possa ter. O grande realizador Jean-Luc Godard dizia que o ponto central do cinema não é fazer filme político, é fazer filmes politicamente. Outro mestre, Charles Chaplin, dizia que o cinema não é lugar para passar mensagem, pois as mensagens devem ser transmitidas em plenárias, no palco. Neste palco, eu deixo uma mensagem: 17.000 crianças morreram em Gaza. Apelo para que as pessoas percebam isso, pois este filme é dedicado a todas as crianças do mundo”, disse Eimbcke, que recebeu ainda uma distinção da massa leitora do Berliner Morgenpost.

Entre os 21 títulos que concorreram ao Urso de Ouro com “Moscas”, o drama de tons fabulares “Soumsoum, La Nuit Des Astres”, do Chade, valeu o Prémio da Crítica, atribuído pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica a Mahamat-Saleh Haroun, primeiro realizador de ficção do seu país. O filme narra a saga de uma jovem dotada de mediunidade que precisa de concretizar um ritual em nome de uma parteira acusada de bruxaria.

Nesta categoria, houve ainda distinção para a coprodução do Paraguai com o Brasil “Narciso”, de Marcelo Martinessi. “Este filme é memória e é política. O cinema não pode afastar-se do que se passa à nossa volta, tem de construir pontes”, diz Martinessi, que falou ao C7 sobre a relevância do Festival de Berlim para o cinema do seu país. “Saímos daqui premiados no ano passado, com Bajo Las Banderas El Sol, o que mostra uma continuidade da nossa produção.”

A Premiação Oficial da Berlinale, incluindo o Urso de Ouro, será anunciada na noite deste sábado.

Segue a lista completa dos prémios paralelos da 76.ª Berlinale:

Prémio da Amnistia Internacional
What Will I Become?, de Lexie Bean e Logan Rozos

Prémio do Júri Ecuménico
Moscas, de Fernando Eimbcke
Bucks Harbor, de Pete Muller
River Dreams, de Kristina Mikhaylova

Prémio da Paz
Tutu, de Sam Pollard

Prémio CICAE
Prosecution (Staatsschutz), de Faraz Shariat
De Capul Nostru, de Tudor Cristian Jurgiu

Prémio da Crítica FIPRESCI
Soumsoum, La Nuit Des Astres, de Mahamat-Saleh Haroun
Animol, de Ashley Walters
Narciso, de Marcelo Martinessi
Anymart, de Yusuke Iwasaki

Júri Popular Panorama – Ficção
1.º lugar: Staatsschutz (Prosecution), de Faraz Shariat
2.º lugar: Vier minus drei (Four Minus Three), de Adrian Goiginger
3.º lugar: Mouse, de Kelly O’Sullivan e Alex Thompson

Júri Popular Panorama – Documentário
1.º lugar: Traces, de Alisa Kovalenko e Marysia Nikitiuk
2.º lugar: The Other Side of the Sun, de Tawfik Sabouni
3.º lugar: Bucks Harbor, de Pete Muller

Prémio Heiner Carow
Prosecution (Staatsschutz), de Faraz Shariat

Prémio do Público Leitor do Berliner Morgenpost
Moscas, de Fernando Eimbcke

Prémio do Público Leitor do Tagesspiegel
I Built A Rocket Imagining Your Arrival, de Janaína Marques

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