O Festival Internacional de Documentário de Amesterdão (IDFA) anunciou hoje que a realizadora portuguesa Susana de Sousa Dias será homenageada com uma retrospectiva integral e uma seleção pessoal de dez filmes marcantes na sua próxima edição.
Reconhecida internacionalmente pela sua abordagem singular às imagens de arquivo, Susana de Sousa Dias tem construído uma filmografia que questiona as memórias da ditadura e o legado colonial. Filmes como Processo-Crime 141/53 (2000), Natureza morta – Visages d’une dictature (2005) e 48 (2009) serão exibidos no certame, bem como (em estreia mundial) Fordlândia Panacea (2025), onde revisita a cidade-empresa fundada por Henry Ford, em plena Amazónia em 1928. Este filme sucede a Fordlândia Malaise (2019). Luz Obscura (2017) e Viagem ao Sol(2022), que correalizou com Ansgar Schaefer, vão ser também exibidos no certame.
As suas preocupações cinematográficas prolongam-se também na seleção Top 10, dedicada a filmes que reescrevem narrativas políticas e exploram a memória coletiva. Entre os títulos escolhidos, destacam-se Monangambééé (1969), de Sarah Maldoror, e Images of the World and the Inscription of War (1988), de Harun Farocki.
O ponto alto da homenagem será uma conversa alargada com Susana de Sousa Dias, convidada de honra desta edição, onde a realizadora refletirá sobre a sua prática artística e o papel do cinema na forma como contamos — e recontamos — a história.
O Festival Internacional de Documentário de Amesterdão (IDFA) decorre de 13 a 23 de novembro.

