Entidade mítica dos povos gaúchos da América Latina, Kikito, deus-sol dos Pampas, sorridente como só ele, há de iluminar a cinefilia do Rio Grande do Sul – e todo o Brasil a partir dela – pela 53.ª vez na história, de 1973 até hoje, assim que começar mais um Festival de Gramado, nesta sexta-feira. Trata-se da mostra competitiva mais popular de todo o cinema brasileiro, contando com festivais de destaque no Rio de Janeiro, em Brasília, no Paraná, no Ceará e no Recife, além das mostras de Tiradentes e de São Paulo, com projeção internacional.
A maratona da Serra Gaúcha estende-se até 23 de agosto e escolhe O Último Azul, do pernambucano Gabriel Mascaro, como filme de abertura, apostando no impacto desta longa-metragem que já marcou presença na Berlinale. Galardoado com o Grande Prémio do Júri na capital alemã, bem como com os prémios do Júri Ecológico e do público do jornal Berliner Morgenpost, o novo filme do realizador de Boi Neon (2015) combate o etarismo através de uma trama distópica em que pessoas septuagenárias são condenadas a campos de concentração para idosos. Tereza (Denise Weinberg) atinge essa idade, mas recusa ficar confinada. Decide subir os rios da Amazónia até ao Infinito para escapar a esse destino, contando com o apoio de figuras como o barqueiro de coração partido interpretado por Rodrigo Santoro. Durante os festejos de abertura do evento, Santoro receberá um prémio honorário em reconhecimento da sua carreira de grande destaque em Hollywood.

O realizador Gabriel Mascaro será distinguido com o Kikito de Cristal, uma honraria já atribuída a gigantes de outras proveniências, como Juan José Campanella, Cecilia Roth, Mariëtte Rissenbeek, Cesar Troncoso e Ruy Guerra. A 18 de agosto, a produtora Mariza Leão recebe o prémio Eduardo Abelin. A 19, a atriz Marcélia Cartaxo será homenageada com o prémio Oscarito. São gestos que aquecem uma cidade marcada pelo frio, onde o chocolate é uma espécie de tesouro local, com fábricas e lojas de bombons em quase todas as esquinas.
Neste cenário realiza-se a competição nacional de longas-metragens de ficção. Os títulos em competição são: Papagaios, de Douglas Soares (Rio de Janeiro); A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo (Distrito Federal); Nó, de Laís Melo (Paraná); Querido Mundo, de Miguel Falabella (Rio de Janeiro); Cinco Tipos de Medo, de Bruno Bini (Mato Grosso); e Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco (São Paulo).
Há ainda uma competição de longas-metragens documentais, realizada em parceria com o Canal Brasil (canal de televisão por cabo). Nesta secção concorrem Lendo o Mundo, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira; Para Vigo me Voy, de Lírio Ferreira e Karen Harley, sobre a vida e obra de Carlos Diegues (1940–2025), já exibido em Cannes; Avós, de Ana Lígia Pimentel; e Até Aonde a Vista Alcança, de Alice Vilella e Hidalgo Romero.
O festival contará com atividades complementares, entre as quais a exibição de duas séries: Máquinas de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente, Comer, Beber e Aprender. No dia 23, a premiação será anunciada.

