Festival de Vassouras celebra Antonio Pitanga e encara dilemas simbólicos do Brasil

(Fotos: Divulgação)

Avaliado sob preceitos geográficos, o Vale do Café é o território formado pelo conjunto de 15 municípios da região do Vale do Paraíba do Sul Fluminense, localizado a cerca de 120 km da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. São eles: Vassouras, Valença, Rio das Flores, Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Paty do Alferes, Paracambi, Miguel Pereira, Mendes, Barra do Piraí, Pinheiral, Barra Mansa, Rio Claro, Paraíba do Sul e Volta Redonda. São locais que, na década de 1860, produziam 75% do café consumido no mundo e garantiam ao seu país a condição de líder mundial na produção e exportação cafeeira. Sob uma avaliação cinematográfica, esse mesmo local ganha novos simbolismos – inclusivamente os signos das lutas identitárias – ao promover um festival capaz de atrair estrelas que mobilizaram as telas da América do Sul desde a criação do audiovisual moderno. É essa a vocação e a proposta estética do Festival de Vassouras, que abriu a sua segunda edição na sexta-feira, com a projeção do documentário Pitanga e da ficção Casa de Antiguidades. Ambos foram escolhidos por se remeterem à trajetória do ator baiano Antonio Pitanga, de 84 anos, que foi homenageado nesta maratona cinéfila com o troféu Paulo José. Com cerca de 65 anos dedicados ao cinema, ele prepara para 2024 uma nova longa-metragem como realizador, “Malês”.

Estamos a viver um momento importante para a inclusão das negras e dos negros nas telas, mas a conta ainda não está fechada, se compararmos essa atual representatividade em crescimento com o tamanho da população preta do Brasil. Mas eu estou mergulhado nesse novo mundo que se abre para nós cheio de alegria, como um orixá incorporado no corpo de um ator, como um baobá que vai fazer virar centenário daqui a pouco. Não me sinto com 84 anos e, sim, com os 16 que faltam para eu chegar aos cem”, disse Pitanga ao C7nema.

Aos 84 anos, o ator e realizador Antonio Pitanga é o homenageado da edição n. 2 de Vassouras – Foto: Rodrigo Fonseca

Neste sábado, Vassouras recebe o sempre polémico ator Carlos Vereza, protagonista do filme de culto Memórias do Cárcere (1984), para falar da curta-metragem que realizou: “Frankfurt”. À noite, a sessão de gala será de Capitão Astúcia”, de Filipe Gontijo. No domingo, o filme mais esperado é O Armário Mágico”.

Entre os eventos mais esperados do festival, destaca-se um debate sobre o filão espírita do cinema brasileiro e das suas bilheterias vultuosas, com destaque para Nosso Lar(2010), que vai ganhar continuação em janeiro. O realizador Wagner de Assis e o ator Renato Prieto (que já arrastou cerca de 7 milhões de pagantes aos teatros, com peças sobre o Além) estarão em Vassouras na quarta-feira para comentar essa esperada sequela.

“Vermelho Monet” será exibido na quarta

Entre as longas-metragens mais aguardadas do festival, a mais esperada será exibido na quarta-feira, trazendo imagens de Lisboa: Vermelho Monet, do cearense Halder Gomes. Na trama, rodada em Portugal, Diaz vive Johannes, um pintor que se tornou obsoleto. Com a visão deteriorada, à beira de um colapso, ele encontra em Florence (Samantha Muller) – uma famosa atriz em crise – a inspiração para realizar a sua obra-prima. Nesse processo, uma badalada marchand de arte, Antoinette (Maria Fernanda Cândido), vai promover a junção deles. Mas, logo, a história de inspiração vira obsessão.

O Festival de Vassouras segue até o dia 24 de junho.

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