Num dos eventos mais interessantes do Festival do Cairo, inserido no evento Cairo Industry Days, o indiano A.R Rahman e o egípcio Hesham Nazih, ambos compositores, falaram na Cairo Opera House sobre as suas carreiras na música e a sua ligação ao cinema.
Aclamado com dois Oscars, pela banda-sonora de “Slumdog Millionaire” e pela música “Jai Ho”, Rahman tem tido uma interessante carreira internacional onde se contam colaborações com Hanz Zimmer na composição do tema principal da 84ª Cerimónia dos Oscars e a criação de bandas-sonoras de filmes como “127 Horas“, “Pelé: O Nascimento de Uma Lenda” e “Adeus Índia“.
Já Hesham Nazih ainda não se expandiu internacionalmente como Rahman e tem a sua carreira para já centrada regionalmente, destacando-se trabalhos em ”Al Selem w Al Teban”, “Al Fil Al Azraq 1” e da série “Al Sabaa Wasaya”, além de ser o compositor da música para a famosa Parada de Ouro dos Faraós em abril passado.
Na conversa ficámos a conhecer que os dois foram apresentados à música pelos pais, mas ambos tiveram de inicialmente seguir rumos diferentes antes de voltarem a ela. A.R Rahman teve que deixar a música quando o pai morreu, enquanto Hesham Nazih permitiu que os desejos da sua família de conseguir um diploma universitário em Engenharia adiassem o seu sonho.

No entanto, os dois encontraram o caminho de volta para a música, com Rahman a compor a sua primeira banda-sonora para o filme “Roja” em 1992, quando tinha apenas 25 anos, a mesma idade em que Nazih compôs o seu primeiro trabalho para o filme “Hysteria” em 1998.
Na formação dos dois são também identificáveis as diversidades culturais e a presença de línguas antigas que produziram impacto na sua música. Por exemplo, Nazih usou os hinos cópticos, através de instrumentos modernos, como principal referência musical para o seu trabalho na série “Al-Ahd” , enquanto A R Rahman usou notas clássicas da música indiana, infundindo notas modernas, em filmes como “Tamasha”.
Finalmente, outro elemento que liga os dois é o sufismo, filosofia de autoconhecimento e contato com o divino. Se Rahman considera o sufismo o seu conceito geral de vida, a música de Nazih também foi influenciada pela poesia sufi profundamente enraizada na cultura egípcia. “Gouda Akbar” de Rahman e “Sabaa Wasaya” de Nazih são bons exemplos dessa influência.
O Festival do Cairo decorre até ao próximo dia 5 de dezembro.

