Suzanne Lindon: o nascer de uma realizadora

(Fotos: Divulgação)

Ainda inédito em Portugal, “Seize Printemps” (16 Primaveras) marcou a estreia na realização de Suzanne Lindon, filha dos consagrados atores Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain.

Nascida em 2000, a jovem começou a escrever esta sua 1ª obra quando tinha 15 anos. Em 2020, o filme fez parte da seleção de Cannes 2020, teve estreia mundial no Festival de Toronto e passou por San Sebastián.

Surpreende a delicadeza, sensibilidade e até maturidade que Suzanne Lindon apresenta nesta sua estreia, um filme com uma história simples, muito simples, mas tremendamente eficaz. A própria Suzanne interpreta uma rapariga de 16 anos que todos os dias, quando sai do colégio, cruza-se constantemente com Raphael (Arnaud Valois), o qual trabalha num teatro. Ela não consegue ter ligação a jovens da sua idade, e entre os dois vai nascer uma conexão, mas não propriamente a que estamos habituados a ver no cinema, até porque esse rapaz é mais velho que ela e a própria não está disposta a ceder estes anos da sua vida a uma relação.

Este filme foi uma aventura muito importante para mim”, explicou-nos Suzanne em San Sebastián, radiante por esta ter sido a primeira vez em que podia acompanhar a exibição da obra num festival. “Comecei a escrevê-lo com a intenção de protagonizá-lo. A minha família está no meio do cinema, por isso quis fazer algo por mim para atuar, uma forma de conquistar isso e não entrar nesse mundo porque já pertencia a ele [pelos pais]. Queria sentir legitimidade, por isso escrevi o guião. Aos poucos as coisas foram-se compondo, enquanto eu ia experenciando a adolescência, que é sempre complicada porque estamos continuamente a tentar encontrar-nos nessa fase. Aborrecemos-nos, fantasiamos e queremos viver tudo. Quis escapar um pouco a isso e a escrita ajudou-me. Optei por uma história de amor pois talvez a quisesse viver.” 

Uma estreia com o seu quê de autobiográfico

Embora o enredo seja ficcional, “Seize Printemps” está minado de elementos autobiográficos em relação à vida de Suzanne, especialmente na questão do sentimento constante de “incompreensão” em relação aos outros. “Essa incompreensão por parte das outras pessoas foi algo que me afetou e levou-me também a escrever. Pertencer a um “grupo” nunca foi o meu forte. As coisas entretanto mudaram, mas com os 16 anos sentia-me realmente diferente”. Quis transformar essa diferença numa força, escrevendo. (…) Tudo estava escrito no guião. Os silêncios, os gestos e até os olhares. Na verdade, a direção que queria para o filme estava completamente escrita

Maurice Pialat nas influências

Em16 Printemps, no quarto de Suzanne, encontramos um poster de “Aos nossos Amores” de Maurice Pialat, filme de 1983 com Sandrine Bonnaire no protagonismo. A referência ao filme é óbvia: “É por causa desse filme que chamo-me Suzanne”, diz-nos a jovem, acrescentando: “Os meus pais viram o filme e ficaram chocados, no bom sentido. É também um tipo de cinema que amo, uma época que adoro, repleta de crónicas de adolescentes simples. Mais simples que as de agora. Foram filmes de jovens que me atraíram e influenciaram, como o “Aos nossos amores.

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