Como se envolveu como atriz neste mundo de fantasia?
Desde criança que sou fã do mundo da fantasia. Neste projeto estamos a filmar em locais maravilhosos como este. Eu acho que não havia melhor sitio que este para o Instituto, não só porque dá profundidade à história como ajuda na criação de personagens, pois podemos estar realmente no local e não ter de recriar tudo com um ecrã verde. Podemos realmente andar pelos quartos, tocar, sentir e entrar mesmo neste mundo. E sei que isso ajudou-nos imenso a filmar as cenas, como as do Hotel Dumort. Nós estavamos neste velho e decrépito edificio meio enovoado, fuliginoso e sujo. Sentimo-nos muito mais próximos deste mundo quando vemos que o espaço não é falso. O Harold criou este mundo de fantasia que acho que só ele podia criar, especialmente para alguém que vem de fora do género. Isto acontece porque ele trouxe realismo para este mundo de fantasia sem fazer uma caricatura do genero. Não está só a a “traduzir um livro para o cinema, mas a executar uma fita que sobrevive por si só, o que acho muito importante para um franchise.
Qual é a sua relação com o livro. Quando o leu?
Na realidade eu era fã do livro antes de ser contratada. Como já disse, sempre adorei o género de fantasia. No que diz respeito a ler, tento ler sempre estas séries de livros. Quando li a Cidade dos Ossos e os outros livros da saga tornei-me imediatamente fã. E adorava as personagens. Depois soube que ia ser transformado em filme e fui contratada. Foi realmente o casting de uma fã para ser a Clary. Foi uma grande honra, especialmente quando conheci a Cassandra pela primeira vez. Foi como conhecer a criadora deste mundo onde vivo há muito tempo. Ela [Clary] é uma jovem com quem me identifico em diversos aspetos. É tudo em torno da auto-descoberta, auto-responsabilização e encontrar-se a si mesmo numa jornada que todas as adolescentes atravessam: a da auto-descoberta. Esta história passa-se num mundo de fantasia, mas como disse o Harold trouxe-nos para este local que sentimos ser fantástico mas igualmente muito real. Desempenhar uma jovem que passa por tudo isso é como espelhar o que todas as adolescentes passam no seu percurso…
Quando o livro começa a Clary tem 15 anos e já parece ser muito confiante. É algo que também têm em comum?
Nós demos-lhe mais idade no filme. No que toca a mim, eu sempre soube o que queria e aquilo que me interessa. Eu cresci ao lado dos amigos dos meus pais, por isso sempre tive adultos à minha volta. Por isso mesmo, sempre me senti uma jovem mulher confiante. Acho que ja encontrei o meu caminho há muito. Já a Clary, apesar de ainda não saber o seu rumo, é muito confiante no sentido de quando tem uma tarefa ou um obstáculo sabe que tem a força para o ultrapassar.
Mesmo quando está envolvida num triagulo amoroso? Tenho a certeza que isso também é desafiante para uma atriz.
Fomos sempre muito proximos nas filmagens, sempre a rir e a divertirmo-nos entre as cenas. Muitas franquias lidam com triangulos amorososos, mas o bom neste caso é que apesar de ter amor na sua história, não é uma história de amor. Para a Clary o mundo não começa nem acaba por causa de um homem. Ela está em busca da mãe e na verdade é tudo sobre a familia e os poderes que ela descobre em si e na convivência com os outros. Este filme é menos uma história dramática de amor e mais uma jornada de auto-descoberta. A certo ponto é colocada no centro de um triangulo mas isso não tira integridade à história nem se posiciona à frente da ação e do drama.
Vê este filme a transformar-se numa franquia de sucesso, como por exemplo o Twilight?
Temos sempre de esperar que o primeiro saia para ver como as coisas correm, mas eu realmente acredito nesta história, no seu potencial em criar novos fãs e em agradar aos já existentes. Acho que o Harold criou este mundo de maneira a dar destaque às personagens e às emoções e não ao CGI ou ecrãs verdes. Esta é uma obra realmente conduzida por personagens. Quando vemos isso transcrito para o grande ecrã, não precisamos de ser fãs do livro para gostar do filme. Por isso, espero que se transforme realmente numa franquia, pois acho que esta história merece ser contada.
No livro a Clary faria tudo para encontrar a mãe. A minha pergunta é o que a faria lutar, que tipo de coisas a podiam mover assim?
Eu e a minha mãe somos melhores amigas e por isso mesmo eu sinto-me realmente conetada à Clary. Se eu me visse numa situação em que a minha mãe desaparecesse, eu faria tudo para a encontrar. Isso foi algo que me ligou mesmo muito à personagem. Se algo acontecesse à minha familia, aos meus irmãos mais novos ou aos mais velhos, eu faria tudo para os encontrar. A familia é sempre o mais importante.
Quantos são vocês?
Cinco, eu sou a do meio. Mas sim. Familia e amigos, tenho a certeza que faria tudo o que pudesse para os encontrar. Mas volto a dizer que a ligação mãe-filha foi realmente o mais importante neste filme.
Foi a Branca de Neve em Espelho Meu! e agora é aqui a heroina. Que qualidades nestas personagens a atraem e que podem servir de inspiração para as adolescentes?
Acho que ambas as personagens começaram sem conhecerem o seu real potencial. Porém, sempre sentiram algo nelas e apenas têm de descobrir o que possuem para ultrapassar as barreiras que surgem pelo caminho. A Branca de Neve era frágil no início mas à medida que vai encontrando pessoas no seu trajeto vai conseguindo descobrir-se. A Clary apenas precisava de um pequeno empurrão para saber quem era. Pelo caminho sofre contrariedades, mas levanta-se sempre e segue a sua jornada. O arco desta personagem é longo e ela tem de passar por muita coisa para chegar ao resultado final. Não é tipo como um botão, em que ela clica e transforma-se numa heroina. Ela tem de passar por imensas coisas que as adolescentes normais passam, como o triangulo amoroso. Necessariamente, nem todas as teenagers passam por um triangulo amoroso, mas sim com a forma de encarar o amor. É a maneira como lidamos com o amor, a familia, os amigos e todas as complicações que vêm com isso. Ela é uma adolscente normal a viver a sua realidade, que entretanto torna-se um pouco torcida ao longo da sua jornada. Eu realmente gosto de personagens femininas fortes que descobrem coisas sobre si e que sabem que pedir ajuda não é dar parte fraca, mas uma forma de se descobrirem a si mesmas.
Está preparada para mais três filmes do franchise?
Eu adorava. Eu assinei porque adoro a Clary e a história. E todos nos divertimos nas filmagens. Tem sido uma experiência fantástica, executada da melhor maneira possivel, com os sets, o guarda-roupa, etc. Este mundo realmente ganhou vida. E atenção que já passou um par de anos desde que fui contratada, e durante esse tempo [até agora], ver tudo a ganhar vida, tem sido maravilhoso. Estou a aproveitar ao máximo e acredito muito nestes livros e acho que têm muito a dizer.

