“Vejo-me a fazer algo num género diferente”
Todd Phillips deve ser nesta altura um dos realizadores com a cotaçãoo mais elevada nos estúdios da Warner. Com esta franquia superou a fasquia dos mil milhões de dólares, o que é um feito notável. Por isso terá certamente o mundo a seus pés. Pelas declarações proferidas durante a nossa entrevista ficamos com a sensação de que se prepara algo à sua dimensão: vistoso, de grande ação. Sim, Todd Phillips é o realizador que se segue.
Quando começou alguma vez pensou que que esta Ressaca poderia ir tão longe?
Claro que não. A brincar sempre dissemos que poderia ser uma trilogia. Quando o primeiro se tornou num êxito nos Estados Unidos pensámos numa sequela e só depois fez sentido pensar na trilogia.
Há alguma ideia de fazer um spinoff de alguma personagem?
Foi falado mas não sei. Pode ser que no futuro aconteça, se a Warner desejar.
Ao longo da série, como mantinham a inspiração durante a escrita do argumento? Era com vários tipos sentados num quartos a atirar bolas de papel para o cesto?…
Era literalmente isso. (risos) Foi apenas muito trabalho. Eu e o Craig Mazin (Scary Movie), o outro argumentista, a tentarmos fazer rir um ao outro e a contar histórias. E foi esse o ambiente no set, até porque havia sempre espaço para improvisação.
O Mr. Chow (Ken Jeong) aparece em grande forma. É uma personagem que também cresceu bastante…
Ele é o conceito acabado de vilão. Neste filme, eles vivem a ressaca dos pecados cometidos nos outros filmes. E o Chow personifica esse diabo que os persegue. Ele é uma espécie de versão do Joker do Batman.
Nunca chegou a pensar em fazer um quarto filme?
Sabe a ideia foi cumprida, divertimo-nos, viajamos pelo mundo e fizemos rir as pessoas. Os filmes tornaram-se na grande trilogia cómica. É claro que é triste porque todos nós ficamos amigos.
Sentiu que era a altura de seguir em frente?
Esta história parece estar completa. Mas vejo-me a trabalhar com eles de novo.
Este filme tem alguma sequências incrível e acrobáticas. Percebe-se que aqui teve um papel mais ativo em que os anteriores.
É sempre divertido fazer as cenas de grande espetáculo. É claro que foi divertido fazer a cena de perseguição em Bangkok e neste fizemos coisas boas em Vegas. Mas é sempre divertido misturar ação com comédia.
A cena do Caeser’s é impressionante. Fumaram mesmo no verdadeiro Caeser’s?
Não, reconstruímos essa parede imensa. Mas foi muito divertido, pois o Zach tem mesmo medo de alturas.
Mesmo assim calculo que sejam sempre bem vindos ao Caeser’s com a exposição que deram ao hotel…
(risos) Ah pois. Na verdade, temos uma ótima relação e eles foram sempre amáveis connosco. É natural que estejam contentes.
Qual é para si a cena que representa mais o espírito da série?
Talvez seja a cena final, em que o Alan experimenta o fato de casamento. Acho que é nessa altura em que ele pertence realmente ao grupo. E também, diz que se retira do grupo. É a melhor, a meu ver.
Isto sem esquecer as cena dos créditos finais… (risos)
Ah claro (risos). A Ressaca ficou conhecida também pelos créditos finais. Apesar de neste caso não existir uma cena para a ressaca, achamos que faria sentido algo semelhante. Mesmo que o Alan esteja curado, acho que isso não iria acabar de lhes acontecer.
E ao Stu acontece sempre qualquer coisa radical… (risos)
Sim, ele é o rei da reação, pois acontece-lhes algo radical.
Com esta trilogia e um estúdio poderoso por trás, imagino que as portas estejas abertas para si. Por isso interrogo-me por onde será o seu caminho.
Adoro fazer comédias, mas também as sequências de ação. Não sei o que farei depois, mas vejo-me a fazer algo num género diferente. É claro que estou a trabalhar em vários projetos, mas para já prefiro não dizer mais nada.
Projetos como realizador?
Como produtor também , mas sobretudo como realizador.
As comédias do Judd Apatow e as suas também criaram este tipo de divertimento eminentemente masculino. Onde acha que vem essa apetência?
Acho que as pessoas gostam de rir. O que o Judd faz e o que tentamos fazer são situações extraordinárias, mas tentamos que sejam reais. Se estas personagens tiverem um lado real acho que as pessoas relacionam-se mais com elas.
Uma palavra sobre as escolhas de Melissa McCarthy e John Goddman.
É claro que tento o John como a Melissa são grandes estrelas à sua maneira e pareceu-nos adequado usá-los como contrapontos para a personagem de Alan. Acho que trazem um nível de gravidade à cena.

