Vai estrear esta quinta-feira a primeira sequela do cinema português. Conhecido em Portugal como “Balas & Bolinhos” – e nos EUA como “Bullets & Cookies” – este filme segue a história de quatro amigos em busca de um tesouro.
O c7nema teve a oportunidade de falar com Luís Ismael, realizador, argumentista e actor desta obra. Aqui ficam as suas declarações.
De onde é que vem o nome Balas & Bolinhos?
Sinceramente já não me lembro como saiu o nome… mas a construção lembro-me perfeitamente. “Balas” porque era um filme sobre criminosos e, como não havia dinheiro para dar tiros e partir coisas, as balas que eles lançavam eram as barbaridades que diziam pela boca. E “Bolinhos” em honra a esse ícone da sociedade portuguesa, esse porta-chaves da gastronomia nacional, o célebre bolinho de bacalhau!
De que trata Balas & Bolinhos: O Regresso?
É de uma caça ao tesouro, com toda a aventura inerente ao que é procurar um tesouro. Digamos que é uma versão mais trabalhosa e suja do que registar um boletim do totoloto!
A ideia da sequela é recente ou já vem desde que terminaste de filmar a primeira obra?
No dia em que terminei a montagem do primeiro Balas, decidi acrescentar a palavra “Continua?”. Achei que tinha ali um filme que respirava comédia, adorei as personagens, as situações. Mas também tinha consciência de que era o primeiro e que tinha problemas, porque eu sou o meu mais devastador e implacável crítico. Sempre considerei o primeiro Balas uma tentativa séria de produzir fora do sistema de financiamento do Estado. Só avançaria para a sequela se houvesse dois pontos essenciais: primeiro, um argumento que justificasse o regresso da quadrilha; segundo, um suporte técnico-financeiro que permitisse uma nova abordagem. Quando os elementos se conjugaram, partimos para a sequela, a primeira do cinema português.
Tu, para além de realizar, também escreveste o argumento e interpretaste o papel do Tone. O que te deu mais prazer fazer nesta obra?
Quem gosta de fazer cinema como eu adora tudo o que envolve a produção de um filme. Adorei escrever o argumento – foram meses divertidos em que encarnava literalmente as personagens todas e muitas vezes dava por mim quase possuído por uma delas. Também gostei dos castings, da procura dos locais, dos ensaios, da rodagem e da pós-produção. Foram dois anos da minha vida dedicados com alma e coração ao filme.
Quais as principais diferenças entre o primeiro e o segundo filme?
Há uma diferença enorme. O Regresso tem melhor imagem e som, melhor representação, mais argumento. O primeiro será sempre o primeiro – irreverente e inovador. Gosto de ambos.
Quanto custou fazer este filme?
Cinco mil x 3,5 do PIB… Bem, é fazer as contas! Balas & Bolinhos: O Regresso custou cerca de 150 mil euros.
Recebeste algum apoio financeiro?
Recebi muito apoio daquele tipo “Força! Tu consegues!!!”. Mas em euros, praticamente nada: 2000 euros do IPJ, que deu para comprar umas caixas de palitos (um gajo via-se aflito com os bocados de pizza nos dentes…). O resto foi a AACV e eu que nos atravessámos.
Imagina que vais à feira de Espinho e encontras à venda o DVD pirata de Balas & Bolinhos: O Regresso. Qual a tua reacção?
Era uma reacção calma e ponderada… nessa mesma feira ia à secção dos barrotes, comprava um de porte médio mas resistente, passava pelo sector dos pregos e, sempre calmo, com um barrote cheio de pregos na mão, espancava o cabrão até ele cuspir o fígado em embalagens de patê. Mas sempre com calma e muita ponderação! Odeio violência!
Estamos na era dos “remakes”. Se os americanos comprassem os direitos de Balas & Bolinhos, quem gostarias de ver a protagonizar?
Primeiro, exigia logo que retirassem as tropas do Iraque. Sem isso, não havia Bullets & Cookies para ninguém.
No mínimo, quantos prémios esperas ganhar com o filme?
Já tenho umas prateleiras lá em casa livres. Vai ser desde os Globos de Ouro até aos Óscares, isso já está tudo controlado. E se calhar ainda vou ter de desimpedir a gaveta das cuecas para alguns prémios que não estou à espera.
Se o filme se tornar num “blockbuster”, achas que o elenco vai aguentar a pressão dos paparazzi e escapar às drogas e ao jogo ilegal no “underground” nortenho?
Já sei que depois de Balas & Bolinhos: O Regresso a crítica portuguesa vai bater tanto que vou mesmo meter-me nas drogas, no álcool e claro no sexo, muito sexo, para depois aparecer na Maria ou na Nova Gente a pedir perdão e a prometer que me vou portar bem. Quanto aos meus colegas, vai ser o descalabro total. Ainda hoje não sei porque é que se meteram nisto. Mas vão sofrer, porque cinema “deste” em Portugal não pode ser! É muita acção para os olhos dos portugueses, habituados a planos de três minutos para perceberem o que “aquele plano” significa. Toda a gente sabe que os portugueses são burros, é quase um facto científico.
Costuma-se dizer que não há duas sem três. Haverá um terceiro Balas & Bolinhos?
Tudo depende de uma razão forte: a história, o argumento. Sem isso, não haverá Balas 3.
Porque razão as pessoas devem ir ver Balas & Bolinhos: O Regresso?
Porque este filme foi feito para as pessoas, para o público. E garanto: não tem o Vítor Norte. Por isso, levantem o rabo do sofá e venham ver cinema português!!!

