Entrevista a Drew Barrymore – ’50 First Dates’ (2004)

(Fotos: Divulgação)

Nascida em Culver City, Califórnia, Drew Barrymore cedo deu os primeiros passos no cinema. O seu segundo filme foi um sucesso tremendo: estávamos em 1982 e chamava-se E.T.

Durante muitos anos todos se referiam a Drew como a “menina querida do E.T.”, um pouco como aconteceu com Macaulay Culkin após o mega-sucesso Home Alone (Sozinho em Casa). Curiosamente, ou não, ambos passaram por uma adolescência problemática, mas Drew conseguiu relançar a sua carreira e é hoje uma das mais famosas atrizes norte-americanas.

Em 50 First Dates (A Minha Namorada Tem Amnésia), Drew regressa como Lucy, uma jovem com um problema peculiar. Após um acidente de automóvel, Lucy perdeu a capacidade de fixar memórias recentes. Assim, acorda todos os dias convencida de que ainda é outubro e de que está a celebrar o aniversário do pai. A rotina repete-se até conhecer Henry Roth (Adam Sandler). O problema é que, a cada manhã, Lucy esquece o dia anterior e volta a apaixonar-se por Henry, todos os dias.

Num encontro com a imprensa em Madrid, Drew Barrymore falou sobre a sua personagem e sobre o reencontro com Adam Sandler.


Fala-nos um pouco da tua personagem neste filme.
A minha personagem chama-se Lucy. Ela sofre de perda de memória devido a um acidente que teve com o pai um ano antes. Era professora de arte e, durante o filme, conhece um solteirão empedernido que acaba por mudar com ela. Os dois revivem o mesmo dia, vezes sem conta, e ele tem de a conquistar todos os dias.

Acreditas no amor à primeira vista?
Absolutamente!!!

Neste filme voltaste a trabalhar com Adam Sandler, depois de The Wedding Singer. Sentiste-te feliz com essa oportunidade? Que mudanças notaste em ambos?
Mantivemos a amizade no período entre The Wedding Singer e este filme, e já queríamos voltar a trabalhar juntos. Quando encontrámos este guião, percebemos que tinha uma boa história e permitia-nos interpretar personagens diferentes, mas mantendo o espírito da comédia romântica. Tornámo-nos mais maduros desde então e sinto-me muito feliz por regressar ao lado dele. O Adam é emotivo, meticuloso, envolve-se em todos os aspetos da produção e adora fazer as pessoas rir. É inteligente, generoso e tem muito talento. Trabalhar com ele é uma dádiva.

A vossa química foi evidente em The Wedding Singer. Sentiram o mesmo neste filme, sobretudo no cenário paradisíaco do Havai? Porquê o Havai?
O oceano tinha um papel central no filme, não só pela profissão da personagem do Adam, veterinário de animais marinhos, mas também pelos animais envolvidos. O Havai oferecia essa atmosfera paradisíaca. Quanto à química, é natural. Adoro o Adam, adoro trabalhar com ele e admiro-o muito. Traduzo essa admiração em cena, por isso não é difícil parecer apaixonada. Embora nunca tenhamos tido uma relação, a amizade e a admiração que partilhamos fazem tudo fluir naturalmente.

É a primeira vez que trabalhas como produtora? O que sentes ao ver o resultado final?
Na verdade, já produzi vários filmes: Never Been Kissed, Donnie Darko, Charlie’s Angels (ambos), Duplex, entre outros. Este é o oitavo filme que produzo. Adoro a experiência porque é criativa e enriquecedora: vejo o filme de outra perspetiva, protejo-o e, ao mesmo tempo, posso assumir o lado empresarial, trabalhando com estúdios e financiadores para garantir que a obra tem os recursos que merece.

Trabalhaste com alguns dos maiores nomes da comédia, como Ben Stiller, Adam Sandler e Tom Green. Como é trabalhar com eles?
É fantástico! Também tive pequenas participações com Jim Carrey em Batman e com Mike Myers. Adorei todas essas experiências. Estes homens são como um bálsamo na minha vida. Fazer rir é um dom raro e admiro muito quem o possui. Humor é essencial e, para mim, estes atores oferecem constantemente algo valioso. Eu também me esforço muito para trabalhar com eles — escrevo-lhes, telefono-lhes, faço questão de mostrar a minha admiração e disponibilidade para colaborar.

Disseste que adoras comédia. Porquê este género e não o drama? Achas que esta comédia será recebida da mesma forma na Europa?
As reações variam: na Rússia o filme está a ser muito bem recebido, no Japão nem tanto, mas melhor do que se esperava noutros países asiáticos. No fundo, o filme equilibra humor “tonto” — como uma morsa a vomitar — com uma mensagem mais profunda: como reinventar o amor, como mantê-lo vivo todos os dias. É uma comédia romântica, mas fala de resiliência nos relacionamentos. O humor nunca é cruel ou sádico, o Adam trata sempre Lucy com carinho. Quanto ao género, adoro rir e adoro fazer rir, mas também procuro variedade: já experimentei drama, filmes independentes, comédia negra e ação.

Nos filmes que produziste, as mulheres têm sempre um papel central e independente. É uma afirmação de “girl power”?
Adoro mulheres, principalmente porque também sou mulher. Gosto de filmes de ação com protagonistas femininas, pois mostram que podemos fazer tudo o que os homens fazem. Em Never Been Kissed, por exemplo, há uma mensagem de autoaceitação e amor. Em Donnie Darko, a perspetiva é outra, mas igualmente fascinante. Quero enaltecer as mulheres, mas também incluir e valorizar os homens.

Como estão as tuas companheiras de Charlie’s Angels?
A Cameron está na Florida, a Lucy em Los Angeles e eu aqui em Espanha. Continuamos melhores amigas, o que é uma dádiva preciosa.

Quais são os teus próximos projetos?
Ainda não sei. Estou à procura de algo que me desafie e até me assuste, porque é isso que me faria verdadeiramente feliz.

Foste nomeada “Amiga das Nações Unidas”. O que isso significa para ti?
Foi no âmbito de um programa pela paz mundial e fiquei muito contente. Estou à espera de colaborar em iniciativas concretas, porque quero mesmo contribuir para um mundo melhor.

Cátia C. Simões em Madrid

Link curto do artigo: https://c7nema.net/y56s

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