Quem não se lembra do politicamente incorreto Stifler, de American Pie? Pois bem, Sean William Scott parece ter encontrado nessa personagem a alavanca indispensável para se consagrar em Hollywood. Como o próprio ator admite: “Há oito anos que não sabia o que era ter férias! Só agora consegui tirar alguns dias para me estender ao sol!”
A verdade é que 2003 parece ser o ano deste divertido ator, então com apenas 26 anos. Scott regressou em American Wedding, a terceira parte da saga American Pie, participou em The Rundown (Bem-Vindo à Selva), uma comédia de ação com The Rock, e protagonizou Bulletproof Monk, onde contracena com Chow Yun-Fat.
Segundo o ator, a súbita entrada no mundo da fama e da popularidade pode ser intensa “quando se reflete demasiado sobre as coisas. Por isso, o melhor é concentrarmo-nos no trabalho diário. Senti o enorme peso da responsabilidade quando estava a rodar Bulletproof Monk. Sabia que era um momento decisivo para mim. Por um lado, era importante que o público me visse num papel completamente diferente, por outro, eu próprio sentia a necessidade de o fazer. Era um papel muito requisitado e lutei por ele até que tanto o realizador como o produtor acreditaram em mim.”
Em Bulletproof Monk, Scott interpreta Kar, um céptico carteirista que, juntamente com um monge tibetano (Chow Yun-Fat), guardião de um manuscrito sagrado, tenta proteger o mundo da ambição de um cruel nazi. Para Scott, a luta por este papel justificava-se: “Era uma história fantástica. Uma oportunidade que qualquer jovem ator, como eu, gostaria de ter!”
E até que ponto o seu percurso em comédias juvenis ajudou na construção de um herói de ação? Scott responde com humor: “É assim: a partir do momento em que aceitas um papel como o de Road Trip, corres o risco de acabar com a tua carreira. Da mesma forma, quando aceitas beijar o Jason Biggs ou o Ashton Kutcher, ou fazer tudo aquilo que fiz em Old School, sabes que existe sempre esse risco. Já em Bulletproof Monk, aprendi a mentalizar-me de que ia haver momentos muito difíceis. Tudo o que tens de fazer é dar o teu melhor e atirar-te de cabeça!”
Kar foi mais um desses riscos. Apesar de ser muito diferente dos papéis habituais de Scott, o ator identificou-se com a personagem: “Sinto-me próximo de Kar porque também já senti a solidão e, como ele, aprendi a esconder os meus sentimentos para não mostrar fragilidade. Lembro-me de estar em Hollywood, a lutar todos os dias por uma oportunidade que não chegava. Essa personagem cativou-me porque, no fundo, é apenas um rapaz com um grande coração, à procura de uma chance para fazer algo importante.”
Mas foi como Stifler, o excêntrico de American Pie, que Scott conheceu a fama do dia para a noite. Personagem que volta em American Wedding mais tresloucado do que nunca: “Ele é um maníaco e acaba por completar a personagem. A história passa-se depois da universidade e o que eu espero é que, após esta terceira parte, o público sinta saudades dele.”
Curiosamente, após American Pie 2, todo o elenco disse não querer regressar para uma terceira parte. A mudança de atitude, segundo Scott, deveu-se ao guião: “Quando o meu agente me ligou, disse-me: ‘Acabo de ler o guião, também tens de o ler. Sei que vais dizer que não, mas tens de o ler’. Respondi: ‘Não, não o mandes. Não quero fazer’. Mas ele enviou-me e, depois de 20 páginas, já sabia que era muito melhor.”
Para o ator, a relação entre os colegas de elenco só se fortaleceu com o tempo, o que tornou mais natural e divertido regressar às personagens que os consagraram. American Wedding prometia ser uma das despedidas de solteiro mais animadas da história do cinema.
Mas, fora do ecrã, Stifler parece não o ajudar muito com as mulheres: “Sou sempre visto como o louco do American Pie, por isso as raparigas não querem falar comigo. Todos os rapazes querem beber shots comigo, mas elas têm demasiado medo. Espero que Bulletproof Monk melhore a minha imagem!” – acrescenta, entre risos.
© Paul Fischer/Darkhorizons, Tânia Camacho/c7nema

