Entrevista a Pearry Reginald Theo – ‘The Gene Generation’

(Fotos: Divulgação)

O cinema fantástico tem mais uma coqueluche e a Internet tem sido o principal espaço para a sua divulgação.

Com o nome The Gene Generation, e com a presença no elenco de nomes como Bai Ling (Dumplings) e Faye Dunaway (Bonnie and Clyde, Chinatown), esta obra de Pearry Reginald Theo tem sido seguida com muita atenção pela comunidade cyberpunk, ou não fosse o filme sobre limites e “hackers” de DNA.

Tudo se passa no futuro e Michelle passa os dias a lutar contra manipuladores de DNA que utilizam os seus conhecimentos para “entrar” no corpo das pessoas e assassiná-las. Mas Michelle é também uma assassina, que luta constantemente contra o seu passado, enquanto procura evitar que o seu irmão mais novo – Jack – se mantenha afastado de problemas.

Quando Jack se envolve com alguns pequenos criminosos, acaba por se ver inserido num mundo de “hackers” do DNA, agiotas perversos e diversos gangs que lutam pelo poder. Procurando o respeito e a credibilidade que nunca ninguém lhe concedeu, Jack não abandona esse mundo, indo assim contra o que a sua irmã preferiria.

Mas os problemas atingem proporções gigantescas e a relação de ambos terá de demonstrar que o amor entre irmãos poderá ser mais forte que o mundo imoral que os rodeia.

O realizador Pearry Reginald Theo falou sobre esta obra que promete ficar na retina de todos. Agora é só esperar que chegue a Portugal.

Qual é a história por trás de The Gene Generation e quando surgiu a ideia?
The Gene Generation foi abordado inicialmente como um drama, passado num local onde as ruas e os becos estavam cheios de gangsters, baseado no amor entre dois irmãos. Gostei da história, mas senti que o background deixava muito a desejar, por isso mudei o filme para uma abordagem mais próxima da ficção científica, passando tudo para um futuro onde há hackers de DNA. Mas se virmos o material original, encontramos muito mais elementos humanos nele do que científicos, que confundem muita gente. Não estou muito interessado na ciência, mas mais nas emoções humanas como o amor, o ódio, a raiva, a solidão, etc.

Quanto à forma como surgiu a ideia, talvez venha da minha fascinação por tripas e outras partes do corpo ao descoberto, e em termos de ficção científica isto pode acontecer se manipularmos o nosso próprio DNA. Mas quem me dera conhecer-me melhor, pois as ideias vão e vêm e é complicado definir de onde realmente a inspiração surgiu.

É difícil para um cineasta independente arranjar dinheiro e pessoas para que um filme aconteça?
Até os estúdios têm dificuldade em arranjar dinheiro. Não há nenhum passo fácil e arranjar verbas e um investidor é, sem dúvida, o mais difícil. Existem imensos livros sobre como arranjar dinheiro para fazer um filme, mas depois são apenas ideias e nada de concreto. A verdade é que, se as coisas são fáceis, provavelmente vai correr mal. Encontrar a equipa técnica é relativamente fácil. Há muita gente com grandes capacidades e talento, especialmente numa cidade como Los Angeles. Mas tem tudo a ver com comunicação e em garantir que partilham a minha visão sobre o filme.

O filme já foi adquirido por algum distribuidor?
Sim, mas isso é uma questão com o produtor, e não devo falar por ele. Mas definitivamente vamos lançar o filme mundialmente.

O estilo visual de The Gene Generation faz lembrar Equilibrium, Matrix e até Ultraviolet. Que filmes e cineastas o inspiraram?
O trabalho de HR Giger inspirou-me mais do que qualquer filme. Já em termos cinematográficos, The Crow, Blade Runner, La Cité des Enfants Perdus e Akira são os que mais se aproximam do estilo que criámos na conceção de arte do projeto. Acho que tem havido uma grande ausência de bons filmes “negros”, por isso fiz The Gene Generation para mim. Adorei ver os filmes em questão e, dez anos depois, decidi fazer um filme assim, porque queria vê-lo.

Está satisfeito até agora com o trabalho? Como é trabalhar com actrizes como Bai Ling e Faye Dunaway?
Oh, sim, são atrizes fantásticas. Discutem muitas vezes comigo, mas fazem-no porque sabem o que valem e lutam pelas suas ideias. Às vezes funciona para o filme, outras vezes não. Quando isso acontece, é preciso argumentar. Se consigo discutir com elas durante 10 minutos e mostrar que realmente quero fazer de uma certa forma, elas aceitam. Por vezes fazemos como elas querem e depois à minha maneira (se houver tempo).

Acha que The Gene Generation pode tornar-se num filme de culto?
Não faço ideia. Os filmes de culto não são criados pelo realizador, mas pelos fãs. Vamos ver. Não tento prever os resultados, apenas tento fazer filmes para o público. Primeiramente penso em mim, mas espero que haja sempre pessoas com os meus gostos.

Usa muito a internet para mostrar o universo de The Gene Generation. Até que ponto ela é importante hoje para um cineasta independente? E como encara o lado negro, a pirataria?
Filmes diferentes usam métodos diferentes. The Gene Generation atraiu cyberpunks e góticos industriais, que passam muito tempo na Web, porque muitos dos seus gostos, como música, não se encontram em sítios comuns como centros comerciais. Nesse sentido, a internet é ótima para os atingir. Mas um público diferente, como os b-boys, exigiria uma campanha de rua, porque é aí que estão.

Quanto à pirataria, vejo-a assim: ninguém copia filmes maus. Acho que é um bom indicador do interesse pelo filme e da procura potencial. Nunca vamos acabar com ela. É bom ver toda a gente lutar contra, mas tento vê-la como uma forma de o público chegar ao meu filme e de mostrar que gostaram tanto que se arriscaram a copiá-lo. Mas os piratas nunca têm a mesma qualidade de um original, e isso faz-me trabalhar ainda mais para que as pessoas percebam que o filme é melhor visto num grande ecrã e em boa resolução.

 

 

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