É com a promessa de muita diversão que cinco jovens partem a caminho de uma rave que tem tudo para ser a melhor festa do ano. Mas, para um deles, o que é uma rave sem drogas? Quem não acha muita graça são as amigas, que o obrigam a voltar ao local onde estavam alojados.
Quando lá chegam percebem que tudo mudou: o espaço está agora abandonado, em pleno deserto. Sem conseguirem comunicar com ninguém ou sair dali (a estrada está fechada), começa uma sucessão de eventos assustadores, incluindo visões que indiciam que algo terrível os acompanha.
No fundo, descobrem que este local remoto funciona como uma espécie de ligação entre o mundo dos mortos e dos vivos. E agora? O que fazer?
Esta é a premissa de Reeker, um filme de terror independente produzido nos EUA sob o comando de David Payne, colaborador muito ativo de Roger Corman.
Depois de ter realizado Addams Family Reunion e de ter escrito os guiões de Boltneck e Just Can’t Get Enough – que também dirigiu – David Payne assumiu Reeker como o seu novo projeto.
Qual é a história por trás de Reeker e quando surgiu a ideia?
Há muito poucos filmes de terror que realmente são divertidos. Eu queria trazer de volta o senso de humor ao género, sem perder o lado assustador.
A ideia nasceu quando imaginei uma criatura/assassino que cheirava muito mal. Mas sabia que isso era apenas um detalhe – e não o primeiro elemento que nos vem à cabeça quando pensamos em algo aterrador. Encarei-o como um desafio, procurando torná-lo acessível a uma vasta audiência.
Foi complicado encontrar financiamento e pessoas que apostassem neste projeto?
Atualmente, não existe muito espaço em Hollywood para filmes de terror que não sejam remakes. E há ainda menos espaço para filmes realmente bons. Tivemos apoio de alguns estúdios e recorremos às típicas fontes monetárias do sistema. Mas, mesmo vivendo e trabalhando em Los Angeles, fomos verdadeiros outsiders.
Que realizadores aprecia e quais o inspiraram para fazer Reeker?
Um dos meus realizadores preferidos é John Huston – por toda a sua carreira e pela forma como trabalhou em diversos géneros, com orçamentos variados, dentro e fora dos estúdios. Realizou argumentos próprios, mas nunca teve problemas em filmar a partir de trabalhos de outros argumentistas.
No caso de Reeker, as influências mais diretas foram os primeiros trabalhos de Peter Jackson, Sam Raimi e John Carpenter.
Como foi trabalhar com jovens atores e com veteranos como Michael Ironside?
Já trabalhei com atores mais preocupados com o estatuto do que com a interpretação. Felizmente, neste filme, todos no elenco estavam focados nas suas tarefas, o que resultou em performances muito positivas.
Foi complicado filmar numa zona desértica?
Todos os filmes têm os seus desafios, e isso faz parte da diversão de realizar. Filmámos em situações de extremo frio e vento, numa terra de ninguém. Ficámos alojados num motel perto dos sets, quase como um pequeno aquartelamento militar.
Está contente com o resultado final de Reeker?
Tínhamos um filme muito independente e conseguimos um produto divertido e assustador, que será distribuído em todo o mundo. Estou muito feliz. É um filme ótimo para ver com a namorada: tem sustos, risos, arrepios, mistério, um grande twist, efeitos especiais, boas interpretações, muita música, rapazes e raparigas atraentes… E claro, há sangue. Muito sangue.
Imagina este cenário: está a navegar na internet e encontra um site que permite fazer o download de Reeker. Qual seria a sua reação?
Primeiro, quero vomitar. Somos uma pequena empresa independente em que cada tostão conta para a sobrevivência. Não conseguimos resistir à pirataria online.
Depois de recuperar o fôlego, tentaria pensar em formas de tornar a situação positiva para uma companhia como a minha. As tecnologias de download permitem vender filmes diretamente ao espectador, sem passar pelo sistema de distribuição. Este mercado tem um enorme potencial.
Mas se a pirataria continuar assim, e se não se criar o hábito de downloads legais, filmes independentes como o nosso deixarão de existir. Seremos esmagados. E os fãs de cinema diferente ficarão apenas com produtos comerciais dos grandes estúdios.
Por isso: se fizerem o download e gostarem, vão ao cinema e comprem o DVD.
Imagine outra situação: estamos 30 anos no futuro e o filho de Michael Bay quer fazer um remake de Reeker. Aceita?
Sim, mas só se o Jerry Bruckheimer produzir.

