Um dos filmes do Fantasporto 2013, o norueguês «Thale», explora um dos mitos mais obscuros do norte da Europa: a Huldra. Com origem na mitologia escandinava, «Huldra» é um monstro que se apresenta na forma de uma jovem de corpo voluptuoso que esconde nas suas costas uma cauda e um buraco igual ao de um tronco velho. Diz-se que a Huldra aparece em meio de uma neblina na floresta, vestida como uma camponesa e escondendo sua cauda debaixo da saia. Noutras variações do mito, ela aparece nua e sedutora, junto a um lago ou a um rio.Na Noruega , ela tem um rabo de vaca, e na Suécia ela pode ter o de uma vaca ou uma raposa . Além disso, no norte da Suécia, a cauda pode ser totalmente omitida em favor de um buraco oco nas costas. Atraindo todos os homens, a «Huldra» convence-os a fazer sexo com ela. Caso não a satisfaçam, ela mata-os. Se estes a satisfazerem, ela recompensa-os. Mas o problema não fica por aqui: depois de fazer amor uma vez com «Huldra», cada homem será tentando a todas as noites voltar para os seus braços e voltar a fazer este sexo exigente, até morrer de exaustão. No entanto há uma forma de a travar: se a «Huldra» se casar numa igreja, ela torna-se humana e perde a causa: e toda a sua beleza. Em troca, ela ganharia a força de dez homens, e destruiria o seu marido caso ela a deixasse por já não ser bela. O c7nema teve a oportunidade de falar com Aleksandre Nordaas, o realizador desta obra que chega ao Fantasporto hoje (dia 2) e repete no próximo dia 5.
O «Thale» é baseado numa lenda real?
Sim, é baseado na lenda de “Huldra”, uma criatura presente por toda a Escandinávia em variações diferentes do mesmo mito. Mas que é mais popular na Noruega. Os eventos de «Thale», no entanto, são originais. Pode-se dizer que é o nosso input para o leque de histórias sobre a “Huldra”.
Como surgiu a ideia de fazer este filme?
Sabíamos que queríamos contar a história da Huldra e que tínhamos um orçamento muito pequeno. Mas não nos parecia fazer sentido pegar num mito com tanto potencial e fazer um filme barato. Portanto, com estes fatores em mente, eu comecei a desenvolver a história. Foi um trabalho que passou não só por meter a história em “frames”, mas também por fazê-la caber neles.
Como têm sido as reações ao filme?
Posso dizer que tem superado as nossas melhores expetativas. Quando estávamos a filmar (na cave do meu pai), brincávamos sobre as criticas que iam sair na revista Empire e assim. Quando chegou o dia em que efectivamente saímos avaliados na Empire, foi uma alegria ler “Belo e enigmático” para descrever o nosso pequeno filme. Quando o site Aint It Cool News escreveu “um filme verdadeiro único e fantástico”, foi aí que percebemos que afinal fizemos algo com valor. Ficamos boquiabertos quando conseguimos 20 milhões de hits do nosso trailer no Youtube.
Como vês a atual cena do cinema fantástico? De momento estou mais virado para séries de televisão, como “Breaking Bad” e “Game of Thrones”.No que toca a longas do género fantástico, espero que venham a caminho coisas novas e refrescantes – de preferência sem zombies ou aliens. Mas posso dizer que há vários filmes no Fantasporto 2013 que gostava de ver.
Conheces o Fantasporto? Vens ao festival? Claro que conheço o Fantasporto, quem no sector não o conhece? Tenho imensa pena mas não vou ter a sorte de estar presente nas exibições do “Thale” aí. É por um bom motivo, pois estou a desenvolver um novo projecto.
De que trata o novo projeto? Para já não posso revelar muito, mas quem quiser seguir as novidades sigam o meu website.

