Uma das apostas mais seguras da competição de curtas-metragens nacionais do Fantasporto 2012 é «O Milagre», de Amadeu Pena da Silva. Este trabalho de final de curso do ESMAE | IPP foi um dos vencedores do Prémio ZON 2012 e chega agora ao grande público na Invicta.
Numa aldeia do Douro português conta-se a história de um vendedor de peixe, o Cristo, que semanalmente visita o lugar de Las Veigas. Numa destas visitas, cruza-se com a neta de um amigo seu. A menina confunde Cristo com Jesus e partindo desta comparação, Cristo tem uma revelação que o coloca num patamar divino.
Este drama de época de 11 minutos conta com José Fidalgo, Sandra Barata Belo, André Nunes e Aurora Campos.
O c7nema falou com o realizador Amadeu Pena da Silva antes da estreia do filme no Fantasporto 2012.
Sobre o que trata ‘O Milagre’?
O filme é baseado em personagens reais que viveram e existiram na região da Régua já há algum tempo. Baseado nas vivências recontadas pela população da zona criou-se uma história, juntando alguns elementos característicos destas figuras e um pouco de imaginação para contar uma história simples sobre compaixão.
Sendo assim, existe uma figura, o Cristo, que é um vendedor de peixe ambulante que se desloca às aldeias mais isoladas para lá fazer chegar alimento. Cristo irá ter uma revelação que o fará sentir-se um ser divinal e por se viver numa altura de maior pobreza, dará o seu peixe ao povo.
Foi um filme de final de curso. Como surgiu a ideia de fazer uma alegoria sobre Cristo num filme de época?
Antes de mais é uma história passada mais na altura dos anos 60/70. Tentámos aproximar toda a realidade do filme mais a essa época que na realidade portuguesa foi também uma altura dura, sobretudo para as populações das aldeias do interior. Como não fui o autor do argumento, quando o li achei que podia ser um filme com uma mensagem intemporal de compaixão para com os outros e foi essa a razão da escolha do argumento para realizar o filme.
Posto isto, não existiu uma ideia para fazer uma alegoria sobre Cristo. O argumento tinha sido já desenvolvido no primeiro ano do curso por uma colega.
Foi difícil conseguir um elenco destes para uma curta?
Desde cedo que expressei a vontade para trabalhar com atores profissionais. Em conjunto com a produção pensámos que se pudéssemos contar com um elenco conhecido podíamos conseguir maiores facilidades na angariação de apoios para a produção da curta, apesar de ser académica. Depois de se ter feito uma seleção de alguns atores tentou-se estabelecer contacto com cada um deles. Esse contacto não foi feito por mim mas acompanhei de perto e posso dizer que foi bem mais fácil do que esperava.
Que esperas da exibição do filme no icónico Fantasporto?
Não sei bem o que esperar. O Festival é icónico e tem um público muito fiel que está habituado a ver na programação um tipo mais específico de cinema. Mas acho que poderá ser uma boa exibição e permite que a curta possa ser vista por outro público. A minha opinião é de que o importante é poder mostrar a curta ao maior número de espectadores diferentes.
Tens novos projectos?
Sim. No verão filmei um documentário que se encontra ainda em fase de pós-produção e irei brevemente iniciar a rodagem de uma outra curta-metragem de ficção. Existem igualmente muitos outros projetos que se tornarão em algo material com o decorrer do tempo.

