São diversas as curtas-metragens portuguesas em competição esta semana no FEST – Festival Internacional de Cinema Jovem de Espinho. O C7nema falou com Vasco Mendes, realizador de uma delas: «A Sinfonia dos Loucos».
Nesta curta-metragem experimental vemos um Porto captado a preto e branco, onde a música é proibida pelo governador, odiento face à surdez da filha. Só que esta apaixona-se por um rapaz que depende da música para viver e que, com a proibição, corre risco de morrer.
De que trata «A Sinfonia dos Loucos»?
«A Sinfonia dos Loucos» é sobre o encontro de um ser andróide, criado em laboratório para viver somente de música, com uma rapariga surda, filha do governador da cidade. Entretanto, a música passa a ser proibida e os dois opostos encontram-se.
O que te motivou a fazer este projeto?
Este projeto teve a motivação inicial de ser o meu filme de final de curso e a motivação sempre constante do prazer que é fazer cinema.
Como foi possível fazer um filme tão “profissional” sem nenhum orçamento?
«A Sinfonia» recebeu apoio financeiro da Universidade da Beira Interior, mas precisou da ajuda da “orquestra” de amigos e família para não sair desafinada. O mais dispendioso foram os adereços, que tiveram de ser feitos de raiz — como, por exemplo, os capacetes da “Brigada do Silêncio” — mas, de resto, foi tudo feito com o que tinha em casa. Desde os casacos antigos de banda filarmónica até aos óculos e restante guarda-roupa, gira-discos, rádios e televisões, estava tudo na minha garagem ou em casa. A iluminação foi feita quase na totalidade com candeeiros, refletores e luz natural. Os atores foram familiares, amigos e amigos de amigos. Em algumas cenas, tivemos de transformar a minha sala de jantar em estúdio. Já na sequência que parece mais dispendiosa e cheia de figurantes, na verdade aproveitámos a manifestação do 1.º de Maio e infiltrámos lá os nossos figurantes.
O filme tem sido exibido em diversos festivais. Venceu o Shortcutz Porto e agora está no FEST. Como tem sido esta experiência para ti?
Tem sido uma ótima experiência. O filme, ao entrar em festivais, ganha visibilidade e permite-me viajar e conhecer pessoas de todo o mundo que fazem cinema.
Tens algum novo projeto na calha?
Tenho em mente aproveitar o prémio que o Festival Alternative Film/Video (Sérvia) atribui aos “Most Important Cinematic Works” de cada edição, que consiste em residir durante um período inferior a um mês em Belgrado e, durante esse tempo, desenvolver e filmar uma curta-metragem.

