Fantasporto 2011: Entrevista a Dawid Marcinkowski, realizador do filme interactivo ‘Sufferrosa’

(Fotos: Divulgação)

O detetive Ivan Johnson anda à procura de uma mulher desaparecida. A sua investigação leva-o até ao professor Carlos von Braun que, por sua vez, anda a desenvolver tratamentos para o rejuvenescimento das mulheres. Mas o que começa numa conversa casual acaba num rapto, com Johnson a ser drogado e levado para a clínica do professor, numa ilha remota. O detetive acorda uns dias depois, numa cela…

Esta é a premissa de Sufferrosa, um filme interativo polaco que promete surpreender os espectadores do Fantasporto durante duas noites. Este projeto de Dawid Marcinkowski combina a fotografia, o filme, a música e a Internet, de forma a criar uma narrativa interativa para o espectador. Esta colagem multidimensional vem inspirada por Alphaville, de Jean-Luc Godard, e vai buscar referências ao cinema noir, ao cinema mudo e aos videoclips. Com três finais alternativos e mais de 100 cenas, este é um dos maiores filmes interativos de sempre.

O c7nema teve a oportunidade de conversar com o realizador polaco Dawid Marcinkowski antes da estreia do filme no Fantasporto.

Podem apanhar a segunda exibição de Sufferrosa no Fantasporto hoje, pelas 21h00, no Pequeno Auditório.


Qual foi a génese de um projeto tão original?

É uma longa história – comecei a pensar em fazer um filme interativo no ano 2000. Dois anos mais tarde, fiz o primeiro ensaio para Sufferrosa, que foi um projeto chamado Smolik Attitude Webeo (www.nobudget.art.pl). Nesse pequeno videoclip musical interativo foi onde vimos as personagens de Carlos e Rosa von Braun pela primeira vez.

Em 2004, fiz um outro projeto chamado Someday on The Misty Island, onde apareceu outra personagem importante de Sufferrosa, a Karen Kane.

Finalmente, em 2005, comecei a fazer Sufferrosa. Foi considerado o filme mais interativo baseado na Internet, apesar de, para todos os efeitos, ser um projeto Do It Yourself (Faça Você Mesmo). Estiveram envolvidas cerca de 100 pessoas (atores, músicos, cineastas), mas não tínhamos orçamento nenhum.


Este thriller é uma crítica à indústria dos cosméticos e à superficialidade da sociedade moderna?

Sim. Toda a gente quer ser jovem e bonito para sempre… é uma loucura, vejam o que fez o Al Pacino!

É por isso que admiro pessoas como o Clint Eastwood. Ele parece a idade que tem e não se importa com isso.


Pensas que esta história funcionaria bem num filme linear?

Penso que sim. É, na sua essência, uma boa história. Certamente seria um filme diferente, acima de tudo com uma edição e uma fotografia bem diferentes. Seria interessante experimentar fazê-lo assim.


Se Hollywood quisesse fazer um remake de Sufferrosa, o que dirias?

Excelente ideia! Eu adoraria ver o David Fincher ou o Quentin Tarantino a fazer uma versão do meu filme.


O que te faz querer ser cineasta?

Videoclips musicais. O trabalho de Michel Gondry no geral – os vídeos que fez para Bachelorette, da Björk, e Everlong, dos Foo Fighters, foram uma grande inspiração para mim.


Qual é o teu próximo projeto?

Estou a trabalhar num projeto no registo Found Footage. Está a ser muito divertido – reminiscente dos filmes de ficção científica dos anos 50 e 60.


Conheces o cinema português?

Não, espero conhecer melhor quando for ao Fantasporto. Será a minha primeira visita a Portugal e estou bastante entusiasmado.


Tens algum conselho para os jovens que querem trabalhar em cinema e fazer o seu primeiro filme?

Vejam mais videoclips antigos.


Qual pensas que é o papel da Internet no cinema atual?

Com o YouTube e o Vimeo, existem cada vez mais filmes disponíveis gratuitamente. Nunca o cinema indie e amador teve uma hipótese tão grande de divulgação.

Mas eu comparo a Internet com o início do cinema. Estamos ainda na era do cinema mudo. Isto é apenas o começo, ainda está “tudo” à nossa frente.

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