Natural de Manchester, o realizador de 54 anos é conhecido por ser o autor do famoso ‘Transpotting’ (1996), que revelou o actor Ewan McGregor e ‘A Praia’ (2000), com Leonardo DiCaprio. Venceu o Óscar na categoria de Melhor Realizador, por ‘Quem Quer Ser Bilionário?’ (2008) e volta a ser distinguido este ano com ‘127 Horas’.
Depois de ganhar o Óscar com ‘Quem Quer Ser Bilionário?’, em 2008, volta a ser nomeado com a adaptação do argumento sobre o montanhista Aron Ralston que teve de cortar um braço para escapar a uma morte certa.
Após ganhar o Óscar com ‘Quem Quer Ser Bilionário?’, parecia-lhe óbvio fazer um filme intimista como este?
Há duas opções quando se tem um sucesso como o que eu tive: ou fazemos um filme de grande orçamento para ganhar dinheiro ou faz-se um projecto de vaidade, que poucos compreenderão. De certa forma, este até poderá ser um projecto de vaidade. Mas eu quis usar todo o crédito obtido com ‘Quem Quer Ser Bilionário?’ para fazer um filme que ninguém iria apoiar. Em condições normais, este filme nunca teria luz verde.
Porquê?
Convenhamos, a perspectiva de ver um homem preso numa caverna durante cinco dias e depois corta o braço não é a mais promissora… Eu sempre o encarei como uma extraordinária história de humanidade. A história do Ralston, tal como a dos mineiros chilenos, ocupa um lugar no nosso cérebro. É uma história inacreditável. E faz-nos pensar: “o que faria eu?”
Até que ponto foi complicado convencer o Aron a aderir a esta adaptação?
Foi muito complicado. Inicialmente, ele estava apenas interessado em fazer um documentário com ele a guiar as pessoas pela história. Mas acabei por o convencer que um actor traria outra experiência.
O James Franco foi parte da razão para fazer um filme?
Sim. Claramente. É um actor fantástico. Foi também a grande oportunidade de mostrar quem ele é. Apesar de não ser uma escolha óbvia, quando leu durante as audições percebi que era ele. Acabou por ser fácil.
Pensou como iria gerir o facto de toda a gente saber o final da história?
É por isso um actor é uma melhor escolha. Um grande actor faz-nos criar uma certa amnésia sobre um final que sabemos. Mesmo assim acabamos por vibrar com o destino dele. E acho que não prejudica o gozo de ver o filme.
Como reagiu às notícias de pessoas que desmaiavam ou vomitavam ao ver o filme?
Há coisas piores em filme como o ‘Jackass 3D’ ou ‘Saw’. Neste caso, é a representação que faz com o momento se torne tão emotivo. Quem desmaia, não é por ficar revoltada com o que vê, mas por viver um momento de extrema emoção. Eu vi uma pessoa a desmaiar momentaneamente após uma sessão em que íamos participar no final. Foi um momento estranho.
Poderia ter feito o filme sem as alucinações e a música?
Poderia, mas já não seria eu. É que eu gosto daquilo que chamo a ‘centelha’, o brilho no ecrã. Eu não sou um naturalista ou realista. Gosto do espectáculo e do uso da câmara de uma forma expressiva, bem como outros ingredientes, como a música e os efeitos especiais. Gosto da cor do filme e do lado visceral que transmite.
Como responde a este novo ‘buzz’ sobre Óscares?
Tivemos o filme pronto deliberadamente para esta altura do ano. Isso foi deliberado. Um filme como este tem de estrear nesta época do ano, em que se fala de Óscares e outros prémios. É algo que dá uma maior longevidade ao projecto. Como sabíamos que o James iria ser genial, percebemos que poderia ser uma prestação, pelo menos, considerada durante o período dos prémios. A partir disso, é algo que não podemos prever.

