Entrevista a Joseph Gordon-Levitt, protagonista de «Looper – Reflexo Assassino»

(Fotos: Divulgação)

É o ator de quem se fala. Depois de ‘Encomenda Armadilhada’, chega às salas com a fascinante viagem temporal ‘Looper – Reflexo Assassino’, ao lado de Bruce Willis e Emily Blunt. Aí assume a mesma personagem de Willis, embora 30 anos mais novo. Contudo, a sua missão como assassino contratado é o seu próprio suicídio. Depois de ‘O Cavaleiro das Trevas Renasce’ iremos vê-lo ainda como um dos protagonistas no muito aguardado ‘Lincoln’, de Spielberg, ao lado de Daniel Day Lewis.

O seu rosto parece diferente daquele que vemos no filme… 

Pois, já não tenho as próteses faciais de ‘Looper’, não é? (risos)… 

Não estranhava o seu próprio rosto quando se olhava ao espelho?

Sim, é uma experiência bizarra e ver uma cara que não é bem a minha. Esta foi, na realidade, uma experiência inspiradora com a performance que fiz. 

Digamos que justificou as três horas de maquilhagem…

Houve algumas tentativas iniciais para ficar parecido com o Bruce Willis. É que não são nada parecidos…

Sim, tínhamos algumas fotos dele e modelos de ambos os rostos, bem como inúmeras fotos de todos os ângulos tiradas pelo extraordinário Kazu (o famoso designer de próteses faciais Kazuhiro Tsui). Ele é um verdadeiro mágico. Depois de encontrarmos um desenho digital que sugerisse uma parecença com Bruce, o Kazu esculpiu peças de maquilhagem para o meu rosto.

Quando foi que se entrou a bordo deste projeto?

Na verdade, pouso depois de participar com o Rian Johnson (o realizador) em ‘Brick’ (2005) ele começou-me a falar de um projeto de viagem no tempo. Embora nessa altura, a progressão técnica não o permitisse.

O que acha que ele tem de especial?

Muitas coisas. Antes de mais, é exímio com as palavras dos seus guiões. Se vivêssemos há dois séculos atrás ele seria algo semelhante a um Charles Dickens. É um escritor brilhante. Depois tem um ótimo sentido de timing. É também um músico competente e montador exímio. Tudo isso dá-lhe uma dinâmica muito precisa. Tem ainda um olho fantástico…

O Joseph também é realizador. E bastante exigente no que faz. Como se definiria?

Eu gosto muito de filmes e de todas as partes do processo de criação. A representação é apenas uma parte. E até a representação do ator é capaz de estar mais relacionada com o realizador do que propriamente com o ator ou o montador. Isso ao contrário do ator de teatro, que controla mais a sua performance. Num filme, cada plano e a representação são mostrados de acordo com certos critérios do realizador.

Lembra-se de quando começou esta aventura de ser ator?

Foi muito cedo, teria eu uns cinco, seis anos. Felizmente, os seus pais propiciaram-me experiências muito diversificadas, como desporto, representação, música, escola, e perceberam que eu tinha uma queda para algumas coisas. A minha mãe levava-me quase todos os dias a audições. Por isso, acho que devo a ela parte aquilo que faço. 

Teve alguma hesitação em rapar o cabelo em ‘50/50’ (2011), para a personagem que sofria de cancro?

Não, nada, adorei fazê-lo. Acho que fazia sentido no filme.

Participou também este ano em ‘O Cavaleiro das Trevas Renasce’. Acha que o iremos ver em breve como Robin?

Não é a mim que compete decidir isso. Como disse, escolhos os meus projetos baseados num grande realizador e num bom guião. Se isso suceder…

Já agora, descreva a sensação de participar em ‘Encomenda Armadilhada’…

Claro. É muito diferente de ‘Reflexo Assassino’, pois trata-se de um filme de perseguição leve e endiabrado, com a particularidade de aqui não existirem efeitos especiais. Cabe-me a mim o papel do estafeta de bicicleta mais rápido da cidade.

Até que ponto as personagens que interpreta acabam por ter um reflexo em si próprio?

É uma boa pergunta. Pois eu gosto de pensar que isso acontece sempre. Sentir-me possuído por alguma das suas virtudes.

Já que estamos a falar de novos projetos, importa-se de comentar o seu próprio filme, ‘Don Jon’s Addiction’?

Ainda bem que pergunta. Acabei de rodar há cerca de dois meses. Gostei muito de estar atrás da câmara. 

E de contracenar com a Scarlett Johansson aposto… (risos)

Sim… (risos) Escrevi um papel propositadamente para ela. Felizmente ela gostou e aceitou participar. A Julianne Moore também tem um ótimo papel. É simplesmente hilariante. Estou a divertir-me imenso a fazer a montagem.

 Don Jon’s Addiction

Finalmente, o que nos pode contar sobre ‘Lincoln’?

Só a possibilidade de contracenar com o Daniel Day Lewis foi fenomenal. Ele está num campeonato a parte. O que ele fez no filme é assombroso. Eu não tinha problema nenhum a pensar que estava mesmo a falar com o Abraham Lincoln. Foi bizarro.

Quase como viajar no tempo, não… ? (risos)´

(risos) Por acaso não tinha pensado nisso… Mas agora que fala nisso, acho que é capaz de ter razão.

Com todos este projetos ‘cool’, já se beliscou ao pensar na reviravolta que teve a sua carreira desde o tempo em que estava na série ‘O 3º Calhau a Contar do Sol’?

Tenho tido muita sorte. E estou sempre a agradecer a tudo o que me aconteceu. 

A quem agradece? 

A quem agradeço? Depende de quem estou a falar.

É uma pessoa que acredita em Deus?

Essa é uma palavra complicada, costuma ser muito distorcida. 

Com todo este trabalho, ainda encontra tempo para tocar guitarra?

Sim, é verdade. Vou trabalhar na música para ‘Don Jon’s Addiction’. Vai ser um processo fantástico.

 

 

 
 
 
 
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