Entrevista a Tom Hanks e Halle Berry, protagonistas de «Cloud Atlas»

(Fotos: Divulgação)

Depois de vários anos de preparação e rodagem, entre inúmeras peripécias, chegou finalmente às salas Cloud AtlasTom Hanks e Halle Berry falam a propósito da experiência radical vivida nesta fita dirigida pelo alemão Tom Tykwer e pelos manos Andy e Lana Wachowski, depois desta assumir a sua mudança de sexo. Curiosamente, esta extrema liberdade acaba por estar contida nesta adaptação do best seller de David Mitchell, em que vários atores assumem diversas personagens de ambos os sexos e se cruzam em diferentes momentos do tempo. E com um fundo moral que nos liga uns aos outros. Um projeto ambicioso que conta ainda com Susan Sarandon, Hugh Grant, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Ben Wishaw, entre outros.

Falamos com Tom e Halle durante o festival de Toronto. Seguramente, um dos filmes do ano.

Aposto que não estavam preparados para este papel. Vejamos, interpretar várias personagens, em diferentes tempos… Muito trabalho, mas também alguma diversão?

Tom Hanks – Diversão? Imagine o que é estar 8, 9 horas entre o início e o final da caracterização. A verdade é que ambos apreciámos este processo de composição, apesar de eu ter sempre dois conjuntos de próteses para cada personagem. Mas era assim que se iam criando as diferentes camadas da personagem. Um processo complicado que nos impunha um lado físico muito evidente. Mas, afinal de contas, não é essa a tarefa que nos cabe a nós atores, a de encarnarmos alguém?
Halle Berry – Mas também foi divertido. Imagine sé o meu espanto depois de estar a conversar com alguém já maquilhado e vir a perceber um minuto depois que tinha estado a falar com o Hugh Grant… (risos)

O que foi o mais complicado para si Halle? HB – Olhe parti um pé… 

A sério?

HB – Sim, parti um pé. Só mesmo por sentir que participei num projeto tão importante como este é que não me importo muito. Mas não foi fácil. Até um dos nossos colegas sofreu um enfarte cardíaco. É nessas alturas que temos de respirar fundo e seguir em frente.

Tinham lido o livro do David Mitchell antes de fazer o papel?

TH – Não, só depois de ler o guião. Mas confesso que também não tive coragem de atacar as 300 páginas naquele estilo arcaico. Ainda que tenha voltado depois ao livro. Até porque percebi que meia dúzia de páginas adiante onde tinha ficado tornava-se afinal num livro tão apaixonante como o E Tudo o Vento Levou.

Foi complicado trabalhar com um trio de realizadores?

TH – Eu trabalhei mais com o Andy e a Lana (Wachowski) e acho que só uma semana com o Tom (Tykwer). É um processo curiosíssimo, pois eles parecem completar-se um ao outro. Não só acabam as fazes uns dos outros como dizem as mesmas coisas. 

Mas quem é que acabava por ter a decisão final?

HB – Para surpresa minha, tudo se passou de forma muito orgânica. É que os três discutiam tudo de forma tão extensa – isto durante dois anos. Acabou por se tornar fácil quando percebemos que partilhavam da mesma visão. Isto independentemente de, enquanto realizadores, terem diferentes estilos. 
TH – O mais belo é que tudo estava na cabeça do Tom, Andy e Lana. Eles compreenderam as ligações entre as histórias. 

Acha que este tipo de mensagem em que estamos todos ligados tem uma relevância especial hoje em dia?

TH – Sim, claro. Só que não pode ser encarada como um dogma, deve ser entendida como uma realidade. Este não é um filme que pretende dar lições de moral, mas sim devemos deixá-lo penetrar no nosso coração. É aí que reside o poder destas seis histórias e todos estes personagens. Tal como qualquer obra-prima de pintura que pode ter um eco em décadas, séculos e milénios. 

Apesar das diferenças de idade, tanto o Tom como a Halle têm tido a felicidade de ter uma carreira de sucessos. Quando olham para trás, do que se sentem mais felizes?

TH – Pois, eu já tenho 56 anos.  Mas não olho para trás! Tenho uma mulher que amo, quatro filhos e até netos. E tenho a oportunidade de estar a trabalhar com a Halle Berry. O que pode haver melhor?
HB – Eu já tive vários períodos da minha vida. Com momentos altos e outros baixos. Mas dos bons é muito difícil escolher um em particular. Também prefiro olhar para a frente. Quero continuar a crescer e a aprender. 

 
 
 
Link curto do artigo: https://c7nema.net/xxxr

Últimas