JLo falou da sua gravidez, dos gémeos, de como esse estado de graça afetou a sua vida provada e pessoal. Sempre risonha, divertida, disponível. Da nossa parte, até aprendemos alguma coisa sobre “o que esperar”…
Eis um questão capaz de motivar as mais diversas respostas, de acordo afinal com a preparação e desejo de aumentar a sua família. Falamos da gravidez, esse tema tão natural, mas que, na hora certa, é bem capaz de motivar reações mais diversas. Por isso, se escreveu o livro homónimo, considerado uma ‘bíblia’ na matéria e um ‘best seller’ global, da autora Heidi Murkoff, em que se baseia a comedia romântica com o tal programa de reações morfológicas, físicas, psíquicas, emotivas. Foi mesmo esse o motivo que nos levou a Los Angeles para entrevistar a diva do pop, a mamã dos gémeos, a mulher prestes a separar-se, a atriz empenhada, Jennifer Lopez. Da nossa parte, percebemos que não havia volta a dar senão em embarcar numa… conversa de mulheres. Não que os homens estejam afastados deste assunto. No filme de Kirk Jones, com estreia agendada para o próximo dia 14, os futuros e recentes pais, aliam-se numa espécie de grupo para partilhar o ‘outro lado’ da dádiva. No caso de JLo, com o ator brasileiro Rodrigo Santoro. E em conjunto com os pares Cameron Diaz e Matthew Morrison, Elizabeth Banks e Ben Falcone, Broklyn Decker e Dennis Quaid e ainda Anna Kendrick e Chace Crawford.
Ultimamente, a Jennifer não tem parado. São os seus filhos, o programa American Idol, este filme… Como é que consegue dar conta do recado?
Não vou mentir. Tem sido, de facto, esgotante. Tenho ensaiado, participado no Idol, promovido filme. É realmente muito. E há ainda os miúdos (Max e Emme)… Mas sinto-me bem, muito zen… (risos) Acho que está tudo a correr tão bem. Sinto-me abençoada por isso.
O que descobriu sobre este livro que a ajudou no seu processos de gravidez?
Percebi que o livro era muito preciso com tudo o que tem a ver com a gravidez. Por isso compreendo porque toda a gente o lê. É que nos transporta ao longo de todos os momentos da gravidez. Quando ficamos grávidas toda a gente tem uma opinião e uma experiência, mas nós não sabemos nada do que vai acontecer. Este livro ajuda-nos a não entrar em pânico. (risos) Percebemos como é que o nosso corpo vai alterar e que sensações iremos ter. É algo que nos ajuda a acalmar a ganhar alguma paz.
Sim, mas não lhe tira as dores de parto…
Não faz com que os sintomas desapareçam, claro, mas faz com que tudo pareça normal. Isto com uma gravidez normal. Lembro-me até, depois de ler o livro, com os meus gémeos depois de ter a cesariana. Não tive dor, até porque não fumo, não bebo… e não tomo tranquilizantes. Mas enganei-me. Quando quis pegar deles percebi que não podia por causa das dores. Na altura tinha uma enfermeira para me ajudar. E cheguei a confessar ao Mark (Anthony, seu marido, embora prestes a divorciar-se): “acho que os bebés já não gostam de mim”. Isto porque passavam mais tempo com ela. Por isso chorava. Mas ele sossegava-me. Por isso decidi ler o livro, e percebi que era mesmo isso o que me estava a acontecer. Desde esse momento fiquei muito mais tranquila. É que há momentos em que nos sentimos algo deslocados, por isso este livro é uma ferramenta muito útil.
O que a surpreendeu mais durante a gravidez em termos físicos, as transformações?
Por acaso os meus pés cresceram um pouco… E eu pensei, “o que vou fazer agora com todos estes sapatos maravilhosos?” Mas acabou por retomar a sua forma. Bom quase. É um pouco como as ancas. As minhas aumentaram um pouco. Digamos que o corpo transforma-se um pouco, mas a pele pode fazer maravilhas. Eu tive até uma gravidez ótima. Estava sempre sorridente, com gémeos, e sem qualquer dor. Ainda por cima estava sempre em digressão. Só aos 8 meses e meio é que a minha barriga explodiu. E o meu nariz alargou. Estava horrível. Todos os meus ângulos eram mauzinhos. Mas nunca me assustou muito.
Correu tudo bem durante a sua gravidez?
Lembro-me de ter tido um momento de pânico quando percebi que iria ser responsável por dois seres humanos. Só um segundo, uma onda que passou por mim. Depois passou. Ficou no meu subconsciente. E volta sempre que se fala nisso. É algo que tenho de controlar. Em todo o caso tenho podido a dançar e ter passado um tempo maravilhoso. É algo que ainda acontece. Quando temos filhos eles transmitem-nos momentos de grande alegria e felicidade.
Ouvi dizer, pela Heidi, que o cérebro diminui um pouco. Sentiu isso durante a gravidez?
Senti sim senhor… (risos) Lembro-me de estar em digressão, começar a música e perceber que não me lembra da letra… E cheguei ao microfone e perguntei: “Alguém se lembra da música desta canção?” (risos) Tive uma branca total. Mas depois pensei, “estou grávida, quero lá saber…”. E virei-me para trás e pedi ajuda aos músicos. Mas eles achavam que eu estava a brincar. “Mas não sei mesmo a letra!” dizia-lhes. Sim, é verdade, o cérebro escolhe cerca de 8%. Mas não é justo! Mas regressa.
Depois de ter experimentado no filme a sensação de adaptar uma criança, sente que isso alterou a forma como encarava a adoção?
Antes da minha gravidez não pensava nisso. Tive os meus filhos e não tinha tempo para pensar em mais nada. Mas durante e depois do filme apaixonei-me por aqueles dois gémeos que participaram no filme. E percebo como é tão fácil educar uma criança que não tem nada. É um ato de amor desinteressado muito bonito. Ficamos com a sensação de perceber melhor como funciona a adoção.
Acha que depois desta experiência sente que poderá querer ter mais filhos?
Seria uma bênção. Mas, para já, estou empenhada em educá-los. Já me ocupam o tempo todo. Depois, como tive gémeos e foi recomendado fazer uma cesariana, acho que uma parte de mim ficou a pensar que gostava de ter tido um parto natural. No entanto, como presenciei a gravidez da minha irmã e a força que ela fazia, se calhar acho que fiz bem… (risos)
Falemos um pouco dos pais, porque no filme parece que estão um pouco perdidos, um pouco desorientados… Mas o cast masculino até é relevante…
Mas o que é que eles sabem sobre a gravidez?… (risos). Não, a ideia era que se envolvessem. E a verdade é que os pais precisam de outros pais para se sentirem mais amparados. Por isso, acho que os elementos masculinos foram uma boa adição para este filme.
Por falar nisso, como foi contracenar o seu companheiro no filme, o Rodrigo Santoro?
Sim tive sorte. Foi um tempo maravilhoso. Pensamos logo no início que este casal era daqueles que toda a gente gostaria de ter como amigo. Porque se davam bem, gostavam muito um do outro, tinham uma vida artística. Ele gostava de música e ela de fotografia. Até ao momento em que ela começa a pensar em ter uma criança.
Lembra-se de algum momento divertido ocorrido durante a rodagem?
Sim, Kirk Jones, o nosso realizador britânico, estava sempre a dizer-nos para pararmos com os afetos (risos). Mas a verdade é que estávamos num período afetivo muito intenso do nosso casal. Ele dizia-nos: “não sei se têm de estar sempre aos beijos e abraços”… (risos) Mas eu dizia: “nós somos este tipo de casal. Somos muito afetivos.” Foi uma indicação para nos acalmarmos….
Entre American Idol, as suas digressões, qual é a sua filosofia, sendo uma mãe solteira? Como consegue ter todo este sucesso?
Sucesso aparente… (risos) O que mais me preocupa é não prejudicar o bem estar dos meus filhos. Quero ter sempre a certeza de que estão bem. Isso vem sempre em primeiro lugar. Todo o resto acaba por se compor. É esta a minha filosofia.
É uma questão de organização…
Sim, desde que tudo isto consiga funcionar no sentido certo, posso dedicar todo o tempo que me resta à minha carreira. Por isso penso num dia de cada vez. Mas conto com a ajuda de muita gente. Tenho gente ótima que me ajuda. Não só no trabalho como em casa. Tenho uma família ótima. Tudo isso junto ajuda imenso. Mas é bom saber que tenho muita gente comigo. Essa luta de mãe solteira tem sempre um sentimento de culpa associado, pois nunca me apetece ir trabalhar. Isso acontece-me quase todos os dias. É sempre um jogo de equilíbrio, onde fazemos o que podemos. E temos de dizer não quando temos de dizer que não.
Tenho de dizer que vê-la numa comédia romântica é quase como vê-la dançar. Percebe-se que se sente muito à vontade. Por isso pergunto: até que ponto na sua carreira pensou que poderia combinar o cinema com a música?
Sempre gostei de comédias românticas. Até porque sou muito romântica, não sei se já tinha reparado… (risos) E até tenho alguma graça – talvez não tenha reparado… (risos) Sim, sou divertida. Mas é verdade que gosto muito de comedias românticas. Sempre fui fã. É o género que mais gosto. Por isso é algo que se torna natural para mim. É isso que eu sou.
Qual é a sua comedia romântica favorita?
When Harry Met Sally/Um Amor Inevitável (1989).
No filme, quando está a segurar a criança que vai adotar, percebe-se que ela se enroscou em si. Foi fantástico.
Por acaso eram dois gémeos, veja lá a coincidência. Depressa percebi que os queria levar para casa… Eram tão amorosos que logo me apaixonei por eles. Aquele com que fizemos a cena foi especial. Era amoroso e fez-me pensar como é possível adotar um bebé e fazê-lo parte da nossa família, amá-lo e vê-lo crescer. Como se fosse nosso.
Por acaso sabe qual era o passado deles?
Sim, eles tinham uma história especial. Eram dois meninos etíopes. A mãe tinha morrido ao dar á luz e tinham apenas alguns dias. Ambos estavam também muito doentes, muito magros… Oito meses depois estavam num filme connosco. E foram logo adotados por outros pais. Eram muito especiais. Com o Samuel, assim se chamava o menino, foi amor à primeira vista: e mútuo, pois ele encostou logo a cabecinha no meu colo. Foi muito bonito.
Mãe e artista

