Aos 87 anos, o veterano ator sueco tem um magnífico papel em ‘Extremamente Alto, Incrivelmente Perto’, com estreia marcada para 1 de março. Falámos com ele em Berlim.
Falámos em Berlim com Max von Sydow sobre a personagem mímica que foi nomeada aos Óscares. Na sua deriva com Thomas Horn em Manhattan apenas comunica através de um bloco de notas e pelas palavras ‘sim’ e um ‘não’ tatuadas nas mãos.
Poderemos dizer que este foi para si o filme mais fácil de fazer, pois é uma personagem que não fala…
(Risos) Não, não, na verdade tinha muitos diálogos para memorizar. Por isso mesmo foi uma experiência fascinante e estimulante.
O miúdo Thomas Horn é impressionante. Como foi trabalhar com ele?
É um rapaz brilhante e nunca teve qualquer experiência como ator antes deste filme. Um mês depois de trabalho com o Stephen (Daldry, o realizador) ficou como se vê no filme. Impecável. Totalmente profissional.
Lembra-se de si quando tinha a idade dele?
Nessa altura não sabia nada sobre representação, nem se queria ser ator. Apesar de ter ficado curioso com as produções teatrais de teatro em Estocolmo.
O que o fez mudar de ideias?
Nada em especial. Mas na altura pensávamos que éramos génios brilhantes. Por isso, decidi com um grupo de amigos envolver-me.
Queria ser ator de teatro ou cinema?
De teatro, claramente. O interesse pelo cinema veio depois de entrar para o Teatro Nacional em Estocolmo, onde estive três anos.
Lembra-se do seu primeiro encontro com Ingmar Bergman?
Sim, lembro-me, foi durante uma greve do cinema. Como não havia cinema, o Bergman foi fazer uma peça, ‘The Rose Tattoo’, do Tennessee Williams, no teatro onde eu estava. Mas foi apenas mais tarde que passámos a trabalhar juntos. Primeiro, no teatro, depois no cinema.
Onde manteve uma colaboração muito regular…
Fazíamos teatro do durante todo o ano e um filme no verão. O Bergman tinha uma capacidade de trabalho tremenda. Escrevia peças durante o inverno e primavera, rodava um filme no verão e montava no outono, para o estrear no Natal (risos). Paralelamente, encenava duas peças no teatro municipal. E, claro, usava os mesmo atores do teatro nos seus filmes. Era uma equipa incrível.
Este é um filme ligado ao 11 de setembro. Lembra-se do que fazia nesse dia quando ouviu a notícia dos atentados?
Sim, estava a viajar na Suécia com a minha mulher. E recebi um telefonema do meu filho Cedric, de Paris, a dizer-me que havia uma guerra! Que estavam a bombardear Nova Iorque. Para não viajar de avião. No hotel vimos o que se estava a passar. Foi um desastre brutal que nos afetou muito. E este não será o último filme sobre o 11 de setembro.
Pretende trabalhar até tão tarde, como o Oliveira…
Meus deus, não devo durar tanto… (risos) Mas sim, durante mais algum tempo. Tudo depende dos projetos que me sejam oferecidos. Este foi um belo trabalho.
Já agora, parabéns pela sua nomeação ao Óscar.
Sim, muito obrigado. Fiquei muito sensibilizado, porque foi uma escolha feita pelos nossos colegas e concorrentes ao mesmo prémio.
E um deles foi o Christopher Plummer…
Sim, um ator incrível e um amigo.

