A noite de abertura oficial do Fantasporto 2012 tem como destaque, para além de «Shame» de Steve McQueen, a sessão dupla de «Bag of Bones» em estreia europeia.
Esta mini-série de dois episódios – que passou em dezembro nos EUA no A&E Network – vem realizada por Mick Garris, um californiano que já adaptou uma mão cheia de livros do Stephen King («Sleepwalker» ou a série de «The Shinning» são bons exemplos) e conta com Pierce Brosman e Melissa George nos principais papeis.
No livro «Saco de Ossos» de Stephen King seguíamos a história de Mike Noonan, um escritor de sucesso que deixa de escrever quando Jo, a sua mulher, morre. Quatro anos depois, começa, porém, a questionar a causa da sua morte e a ter pesadelos com a casa onde costumavam passar o verão. Decidido a enfrentar os seus fantasmas, Mike regressa à casa e descobre muito mais do que esperava. Jo deslocava-se até lá sem o seu conhecimento, a propriedade parece assombrada e a cidade, agora diferente, encontra-se sob a pressão de Max Devore, um poderoso milionário que não mede meios para atingir os seus fins. Subitamente, Mike recupera a inspiração. Que forças misteriosas se desencadeiam e que pretendem elas do escritor?
Mick Garris já esteve no Fantas o ano passado, e quis regressar em 2012 para apresentar este seu novo projeto (o realizador confirmou que estará presente no Porto durante o festival). O c7nema falou com ele na antecipação da estreia europeia de «Bag of Bones».
O que deve o público do Fantasporto esperar de «Bag of Bones»?
Bem, antes de mais, de que se trata de uma mini-série de duas partes feita para a televisão americana. Mas acima de tudo que é uma história de fantasmas apaixonada e apaixonante, com tanto coração quanto medo. Tem um elenco maravilhoso com pessoas que não encontramos frequentemente neste registo. O Pierce Brosnan é o protagonista e ele está fantástico.
Pensas que sendo um filme feito para televisão americana que vai funcionar bem numa sala de cinema com um público europeu?
Estou muito excitado com a exibição. Para mim acho que o filme funciona ainda melhor numa sala do que na televisão. Existe algo muito especial no medo como experiência partilhada, e numa sala de cinema com muito público, o medo expande-se e ganha uma vida maior. Penso que comédias e filmes de terror funcionam melhor com um público do que numa sala de estar – o riso e o susto contagiam-se e há boas sessões e más sessões consoante a reação conjunta.
Do «Sleepwalkers» às mini-séries de «The Stand» e «The Shinning», és um habitué na hora de adaptar ao cinema e à TV os livros do Stephen King. O que te faz voltar ao trabalho dele na hora de fazer cinema?
Eu adoro a humanidade, o realismo das histórias do King. Ele vive num mundo que todos conhecemos e onde também vivemos. Portanto, quando algo do outro mundo ou sobrenatural acontece, é de uma forma natural num lugar que compreendemos. Há muita emoção no trabalho do Stephen e isso atrai-me mais do que qualquer outra coisa. O terror é um dado adquirido, mas o terror aliado ao drama torna-o algo muito especial.
O que te faz querer adaptar «Bag of Bones», mais de dez anos depois da sua publicação?
É uma das minhas obras favoritas do Stephen King desde que a li. É uma história de amor e perda, e sempre me tocou. Já perdi familiares e amigos e queria explorar no cinema os sentimentos de perda – um pouco como em «Riding the Bullet» (‘Boleia Arriscada’ de 2004, também realizado por Garris e adaptado de King) mas num mundo mais adulto. Para mim, as melhores e mais potentes histórias de fantasmas são aquelas que nos partem o coração.
Chegou a colocar-se a hipótese de fazer «Bag of Bones» como um filme para cinema. Pensas que o formato mini-série foi o ideal?
Bem, devo admitir que o tempo extra de duração que uma mini-série permite faz com que possamos contar a história melhor e esta funcione muito melhor.
Eu adorava ter feito um filme de grande orçamento para se ver em cinema, mas a realidade é que se trata de uma história íntima e mesmo que a tenhamos adornado com muita beleza visual isso não é o componente mais importante. O argumento do filme em “formato cinema” espremia demasiado a história e creio que não deixava que as coisas importantes tivessem o tempo que mereciam. Estou muito feliz com o resultado final que o formato mini-série nos permitiu.
Estiveste no Fantas o ano passado como júri, agora voltas com um novo filme. Parece-te que o Porto seria um bom sítio para filmar uma história e terror?
Acho que o Porto seria um sítio EXCELENTE para filme um filme de terror. É lindo, apaixonante, com arquitetura moderna e antiga lado a lado, próximo de água, e com uma história profunda que vive nas ruas. Tirei muitas fotografias aí no ano passado e quando mostrei às pessoas disseram-me logo que eram de um filme fantástico dos meus. Eu tive que lhes explicar que não tinha feito nada, que eram apenas fotografias de um turista numa linda cidade gótica em Portugal.

