A propósito de «O Miúdo da Bicicleta»: Entrevista à actriz Cécile De France

(Fotos: Divulgação)

Já a vimos em filmes tão diferentes como «A Residências Espanhola», «Alta Tensão» e «Hereafter – Outra Vida». Agora Cécile De France surge em «O Miúdo da Bicicleta», o mais recente filme dos Irmãos Dardenne. O c7nema teve a hipótese de falar com a actriz em Cannes.

“Sou uma ferramenta para contar a história”

Ficou surpreendida por os manos Dardenne a terem chamado? Como eles não costumam trabalhar com actrizes conhecidas…

 É caro que fiquei muito surpreendida. E reconhecida. Li o guião com entusiasmo e percebi logo o que seria  filme. Percebi também que não seria a protagonista. Mas claro que não hesitei.

Foi fácil trabalhar com o miúdo Tomas?

Foi, apesar de nunca o tratar como um miúdo. Para mim, era um jovem adulto. Até porque estava adiante de mim. Ele estava mais tempo com os Dardenne e participava na composição do filme. Mas também porque tem o poder de não ser profissional. E isso é um poder quando se trata dos Dardenne. Somos uma folha branca onde tudo se vai inscrever. Comigo, era o contrário. Tinha de apagar muita coisa… Para mim, era como um conto de fadas, em que eu era a fada.

Como foi regressar à Bélgica e fazer um filme local?

Foi muito importante para mim. Já não acontecia há muito tempo. É a minha cultura, a minha identidade. Fiquei orgulhosa de representar a Bélgica.

Foi difícil de adaptar-se ao estilo dos Dardenne?

Não foi fácil, mas é a minha missão em adaptar-me a cada novo realizador. Foi assim com o Clint Eastwood, os Dardenne e outros com quem tive a honra de trabalhar. Queremos estar ao nível deles. Se nos escolheram, temos de ser nós a adaptar-nos. Sou uma ferramenta para contar uma história.

 Os Dardenne e Cécile De France 

Provavelmente, os Dardenne e o Clint Eastwood serão os realizadores mais distantes, não concorda?

Sem dúvida. Filmam de forma bem diferente. Com os Dardenne ensaiamos durante um mês e verificamos todos os detalhes. Não há maquilhadora, cabeleireira. Fazemos muitas repetições. Um dia de trabalho muito longo. Com o Clint não há ensaios, é quase tudo à primeira. Confia em toda a sua equipa. 

Como encarou essa premonição de filmar a cena do tsunami (em Hereafter – Outra Vida) e pouco depois ela acontecer mesmo?

Não tenho uma resposta. Foi muito estranho. Por isso, a Warner e o próprio Clint não quiseram mostrar o filme no Japão. 

Mas, diga-me, aquela cena do tsunami foi filmada apenas numa cena?

Sim, foi feita num dia ou dois. Foi num tanque nos estúdios Pinewood, em Londres. Depois fomos para o Havai. Com os Dardenne levaria um mês…

Vê alguma ironia em ser belga e ter o apelido De France?

(risos) Na Bélgica somos uma mistura de vários povos invasores. Franceses, italianos, espanhóis… Não somos belgas puros. Provavelmente, a minha origem é francesa.

Só para terminar, o que vai fazer a seguir?

Acabei um filme com o Xavier Gianolli que se chama Talk Show. 

 
 
Paulo Portugal, em Cannes 
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