Jamie Bell já não é o miúdo de Billy Elliot. Apesar de continuar a dançar, as solicitações para diversos filmes não param. De tal forma que o actor britânico de 25 anos receia até perder o seu relativo anonimato. Felizmente, ao assumir a personagem de Tintin o seu rosto aparece confundido com o do herói de Hergé. Mesmo assim não se livra de dar corpo a uma personagem que se arrisca a tornar ainda mais popular que Harry Potter. Falámos com Jamie em Paris, durante a promoção do filme.
Teve de convencer o Spielberg e o Peter Jackson para entrar neste filme?
Não sei, é talvez uma pergunta para eles. Dei-lhes a minha versão do Tintin e acho que gostaram.
Como foi que se apropriou da personagem de Tintin?
Eu conheci o Tintin quando tinha apenas 8 anos e sempre fui fã. É quase como se tivesse participado com ele em todas as aventuras no meu quarto. Gostava de o imitar; ele era tudo o que queria ser: heróico, corajoso, intrépido e viajava pelo mundo.
E como foi dar-lhe corpo e vida?
Como também sou um fã do Steven Spielberg, a combinação entre estes dois elementos permitiu tudo isso acontecer. Foi algo muito especial. Só tive de perceber como o iria interpretar. Foi aí que regressei a Hergé.
E o que fez?
Li tudo sobre o Hergé, sobre a vida dele e o que fez antes. Tentei também fazer esboços em desenho do Tintin. Durante todo este processo explorei também o seu lado mais físico. Como tenho prática de dança não foi muito complicado. Acho que interiorizei as pausas dinâmicas.
É um trabalho mais difícil para um actor quando tem de imaginar todo um mundo que não existe?
Não sei realmente, porque eu fui criado com esses livros. Tinha tantas imagens do Hergé na minha mente que me bastou para perceber onde estava. Era algo que podia usar para preencher a minha interpretação.
Como encara o resultado final de uma personagem em que vestiu um fato cheio de luzes para lhe dar vida?
É estranho e, ao mesmo tempo, difícil ser objectivo. Mas uma coisa é certa, ainda não consegui perceber como é que foram capazes de conceber este resultado incrível. É que eu não sei como funciona toda esta técnica. Nós nunca saímos da mesma sala, apesar do filme se passar em locais tão diversos como no meio do oceano, na cidade, no deserto… O mais incrível é mesmo o que o Joe Letteri e as pessoas da Weta (a companhia de efeitos especiais de Peter Jackson) conseguiram fazer. No fundo, recriámos todo o universo do Hergé, incluindo todas as nuances gráficas das histórias.
O que lhe parece de toda esta tecnologia?
O que é mais incrível é perceber como a tecnologia permite fazer essa ponte. E logo com um realizador que fez uma versão muito semelhante àquilo que são os livros de Hergé. Fazer parte de tudo isto é simplesmente incrível.
Pode traçar-se uma comparação entre Billy Elliot, pois a câmara também estava sempre consigo?
É possível. A diferença para a imagem real, é que em Billy Elliot sempre tinha alguns momentos de descanso entre cenas, podia ir até ao meu trailer; agora aqui é sempre a andar, bastava-lhes passar o ficheiro que acabáramos de filmar com o rato para a paste respectiva e já estávamos prontos a seguir.
O Jamie continua a dançar?
Claro.
Isso ajuda-o a manter em forma, calculo…
Sim. Mas não é que continue a ter aulas de dança. Danço mais comigo próprio… Mas ter uma experiência de dança para fazer um trabalho físico ajuda bastante.
Aprecia o facto de poder passear na rua e as pessoas poderem não saber que é o Tintin? Até porque muitos poderão não o reconhecer de Billy Elliot… Com lida com esse lado da fama?
É algo com que vivo há dez anos. Mas é verdade, não gosto muito de ter a atenção sobre mim próprio. Se calhar estou na profissão errada… Acho que posso ter uma vida tranquila sem ter de ser muito famoso.
Como descreveria esta experiência com o Spielberg? Como é ele como realizador?
Ele é um realizador que gosta de actores e gosta de boas performances. É um comunicador. Há muito tempo que admiro o trabalho dele, por isso foi óptimo poder ter esta experiência de poder trabalhar com um ídolo. Ele é muito inspirador, quase não é deste mundo. É um ícone mundial e tem uma chave para um lugar muito especial no nosso coração.
Está ponto a embarcar numa nova aventura de Tintin?
Isso está nas mãos do público. Se o filme for bem aceite, é claro que faremos outros. Mas eu gostaria muito de fazer outro filme como Tintin.
Afinal de contas, quem acha que é mais famoso, você ou o Tintin?
Está a brincar? O Tintin, claro. Eu nem ao pés dele chego.
Artigo originalmente publicado na Máxima

