Entrevista a Elle Fanning (Somewhere – Algures), por Paulo Portugal

(Fotos: Divulgação)

É uma child actress que não pretende ser mais do que isso. Faz questão de dizer que tem apenas 12 anos e que os pais são muito importantes para ela. 

Como foi o Stephen Dorff no papel de pai?

Foi óptimo. Fizemos várias coisas juntos para criar esse tipo de familiaridade. Veio ver-me jogar voleibol na escola, fomos comer gelado… Foi divertido. 

E como reagiram os seus amigos?

(risos) Eu vou a uma escola normal e tenho muitos amigos. Nunca falámos sobre os meus papéis, mas os meus colegas apioam-me muito. E quando sai um filme em que eu entro, vamos ver juntos.

Mas para além do voleibol, a Elle pratica outros desportos, não é?

Sim patinagem no gelo e antes disso fiz ballet. Mas agora já faço ballet de uma forma mais séria. Tive de aprender para o filme. Nunca tinha feito antes. Treinei durante dois meses, antes das aulas. Começava às 5 da manhã e regressava depois das aulas. Fiquei muito contente quando fiz o meu primeiro salto (risos). 

Parece-me uma menina muito determinada naquilo que faz. É também assim como actriz? Gosta de penetrar fundo nas personagens?

Sim, sem dúvida, porque tenho de ser aquela personagem quando chego ao set.

Como é que vê esta personagem, a Cleo, em ‘Algures’?

Se a vemos de fora, é uma rapariga normal, mas quando sorri percebe-se que está sozinha. Percebe-se que sente falta do pai. Ele não é exactamente um ‘role model’, até que ela o muda e ele acorda.

E a sua irmã (Dakota Fanning) é também um modelo para si?

Claro. 

Sobretudo por estar na mesma actividade...

Sim, acho que ela tem feito tudo bem. Escolheu os papéis certos. Oxalá eu consiga fazer a mesma carreira.

Quando não está a trabalhar, o Johnny Marco (personagem do Stephen Dorff) fica deprimido e não sabe o que fazer? Como é no seu caso?

Bom, eu tenho a minha escola, por isso não posso estar sempre a trabalhar. Tenho também as minhas aulas de ballet.

Mas não sentes também aquela vontade de regressar ao trabalho com um novo filme?

Sem dúvida. Sobretudo neste caso, pois a equipa era tão reduzida e estávamos sempre juntos. No final fiquei com saudades deles.

Teve a ideia, quando estava a fazer o filme, que se tratava de algo especial?

Acho que qualquer actor gostaria de estar num filme da Sofia Coppola. Nem acredito que ela me escolheu a mim para o fazer. 

À medida que ficar mais famosa imagina que poderá vir a ter uma vida decadente como a do Johnny Marco?

Não acredito. Tenho pessoas óptimas ao meu redor, por isso não acredito que possa cair nesse tipo de vida. O Johnny fez esses filmes, mas não tinha um objectivo na vida. Acho que temos de estar rodeados de pessoas que nos querem bem.

Como foi a sua estada no famoso hotel Chateau Marmont? Para muitos actores, viver lá durante seis meses é uma espécie de rito de passagem.

Eu não precisarei pois já lá passei muito tempo. E tenho as melhores memórias de fazer este filme lá.

O que pensa de toda esta pressão mediática que anda em redor do Johnny Marco, mas que pode estar atrás de si daqui a alguns anos? É algo que a preocupa?

Há muitos bons exemplos, como a Sofia. É uma pessoas óptima e tem uma família muito unida. Se ela conseguiu manter os pés no chão, eu também quero conseguir.

É verdade que entre as suas inúmeras qualidades, também gosta de futebol? Será que a Imdb está correcta?

(risos) Comecei recentemente a aprender. Mas a minha família é muito atlética. Ela foi jogadora de ténis e o meu pai é jogador de baseball profissional.

A sério?

Sim, e o meu avô foi jogador de futebol (americano). Bem vê, tenho a quem sair.

Mas conhece algum jogador de futebol? Pergunto isto apenas para perceber se poderá dizer que é o Cristiano Ronaldo… (risos)

(risos) Acho que não sei quem é… (risos)

Meu Deus, a sério? 

(risos) Eu não disse que estava ainda a aprender?

Mudemos então de assunto: gostava de fazer um filme com a sua irmã?

Sim, espero que isso possa acontecer um dia, apesar de ela ser mais velha. Ela tem dezasseis e eu apenas 12.

É difícil ficar com os pés na terra quando se tem a perspectiva de ter uma vida glamourosa?

É possível. Tenho muitos amigos que apenas vêm quem eu sou. Isso ajuda-me. Somos todos iguais.

Mesmo quando se tem uma irmã que participa na saga ‘Crepúsculo’?

(risos) É verdade… Por acaso tenho muitas amigas e amigos que adoram a série e leram todos os livros. 

Como pré-adolescente, o que acha que nesta série fascina às pessoas da sua idade?

Acho que é uma ideia de Romeu e Julieta, do amor verdadeiro. 

E qual é o seu actor preferido? Para além do Robert (Pattinson), claro…

Por acaso tive a oportunidade de conhecer o Brad Pitt quando estava a fazer ‘O Estranho Caso de Benjamin Button’. E já o conhecia de ‘Babel’. A verdade é que podemos fazer um filme com um actor e nem sequer nos cruzamos… 

Lembra-se de trabalhar com o Sean Penn?

Eu tinha dois anos… (risos) Não me podia lembrar… Vi o filme recentemente e foi óptimo. Gosto de ver estas memórias.

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