Vedeta máxima do cinema italiano atual, ao ponto de alguma imprensa o apelidar de “Tom Cruise italiano”, Luca Marinelli vai fazendo o seu percurso como ator com um vasto conjunto de projetos extremamente diversos. Depois de “Martin Eden”, o Andrea de “A Grande Beleza” juntou-se a Charlize Theron em “A Velha Guarda”; deu nas vistas na adaptação ao cinema de “As 8 Montanhas”, na adaptação das BD’s “Diabolik”, e na série de TV “M. Il figlio del secolo”.
Agora, o italiano chega ao Festival de Berlim, cidade onde vive atualmente, com o drama “Paternal Leave”, assinado pela sua companheira, Alyssa Jung, uma atriz (e realizadora) alemã. “Vi o nascer do projeto, dos 0,5% aos 100%, e foi uma nova experiência para mim. Foi algo tocante”, disse-nos o ator numa entrevista onde estava acompanhado pela jovem Juli Grabenhenrich, que desempenha no filme o papel de Leo, a sua filha adolescente que largou a sua casa e partiu para Itália para conhecer a figura paterna. No início, Leo só quer respostas, mas depois anseia por um lugar na vida deste homem. À medida que passam um tempo juntos, Leo e Paolo unem-se, mas sua conexão frágil logo é testada, forçando-os a re-navegar pelas complexidades de sua nova realidade. “Apaixonei-me pela história e dei tudo de mim a este homem, Paolo”, que reconhece que a sua personagem é alguém com tendência para fugir dos problemas e responsabilidades: “Todos podemos nos relacionar com o sentido de vulnerabilidade e dificuldade que encontramos no guião. Creio que temos de dar a resposta certa a essas dificuldades que aparecem. Não é o caso da minha personagem, o Paulo, que está sempre em fuga, a começar algo de novo. Ele é confrontado com um momento crucial em que uma jovem e “trouxe-lhe um espelho” para ele se ver a si próprio e o estado da sua vida. Foi uma sorte para ele isso acontecer, mesmo que ele não veja as coisas assim.”

Admitindo que o que o faz escolher participar num filme são os “realizadores, as personagens, e a história”, Luca confessa que há um outro elemento fulcral: “sentir que posso oferecer algo realmente para o papel”. Isso mesmo aconteceu em “M. Il figlio del secolo”, onde desempenhou o papel de Benito Mussolini. “Foi difícil libertar-me do papel de Mussolini. Há umas semanas estive numa manifestação aqui em Berlim contra a AfD. Ainda hoje choro de emoção com a beleza das pessoas que vi nas ruas a manifestarem-se. Por outro lado, na série vivi a negritude do ser humano”.
Quanto a Juli Grabenhenrich, que faz parceria com Luca neste filme, ela admite que chegou ao papel por “acidente” e que chegou mesmo a duvidar se era a pessoa certa para interpretar Leo. Porém, Alissa Jung conseguiu convencê-la, mas este projeto poderá mesmo ser o único pois ela não se mostra, para já, interessada em “fazer uma carreira no cinema”. Antes disso estão os estudo e… o teatro.
“Paternal Leave” está inserido na mostra Gerações do Festival de Berlim.

