Nas águas de “Comandante”

(Fotos: Divulgação)

Longa-metragem de arranque do Festival de Veneza 2023, o thriller de submarino “Comandante“, Edoardo de Angelis (do premiado “Indivisibili”), chega aos cinemas nacionais com o desejo de repaginar o legado al mare de Itália na II Guerra Mundial.

Tivemos um realizador importante na Itália dos anos 1940, que chegou a trabalhar com Rossellini, chamado Francesco De Robertis, que fez uma série de filmes sobre o fundo do mar no nosso país, o que é algo raro na nossa filmografia. Por isso, o seu registo histórico foi significativo para a nossa pesquisa do que os filmes de submarino que, quase sempre, se debruçam sobre russos e alemães nazis“, disse o cineasta Edoardo de Angelis, em resposta ao C7nema, num Q&A no fim da projeção de gala do seu “Comandante” no Festival de Küstendorf, num festival de cinema apadrinhado pelo lendário Emir Kusturica.

Ao fim da sessão sérvia, Edoardo disse rejeitar as influências hollywoodianas de filmes de culto populares como “Crimson Tide” (1995) e “The Hunt For The Red October” (1990). “Não há uma aposta em heróis no meu filme e, sim, em pessoas que, num gesto humanista, tomam uma decisão afetiva“, disse Edoardo, referindo-se ao chamariz que é a atuação do romano Pierfrancesco Favino. Cabe a ele dar vida ao oficial militar Salvatore Todaro (1908-1942), famoso pelo humanismo no mar.

Gosto muito de ver atores maduros, mais velhos do que eu, a atuarem, pois gosto de ver como eles lidam com a questão da aceitação do tempo, das escolhas, das renúncias, e ver como todo um percurso de vida passa a se materializar diante deles”, disse Pierfrancesco ao C7nema, na Berlinale, em fevereiro do ano passado, aplaudido pelo thriller policial “L’Ultima Notte D’Amore”, outro dos seus sucessos recentes.


Escrito por Edoardo em dupla com o escritor Sandro Veronesi, o enredo passa-se em 1940, quando Salvatore Todaro comandava o submarino Cappellini, da Marinha Real Italiana. Numa noite, enquanto atravessava as águas do Atlântico, ele depara-se com um navio mercante belga armado navegando de luzes apagadas. Todaro ataca a embarcação, que acaba por se afundar. Nesse momento, o comandante toma uma decisão que estava destinada a entrar para a História: salvar os 26 tripulantes do navio. Para abrir espaço a esses homens, ele é obrigado a navegar na superfície durante três dias, tornando-se visível às forças inimigas.

Fizemos um livro, em forma de romance, com a história de Salvatore, ao longo do processo de escrita do guião, em meio à pandemia, para explorar outros personagens”, disse Veronesi ao C7nema. No ecrã, o guião é cheio de tensão, uma ode à resiliência e à solidariedade. “Salvatore não é conhecido na Itália fora do mundo militar, mas a historia dele prova que força é mais do que violência. O limite que separa um guerreiro nato dos demais pode estar num gesto de empatia”, diz Edoardo. “Faço cinema para entender o que outras pessoas sentem”.

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