Aos 45 anos, Jérôme Commandeur tornou-se um dos rostos mais reconhecidos da comédia francesa, um percurso que começou na televisão como humorista e espalhou-se para o cinema com a presença em “Bem-vindo ao Norte”(2008) e “Nada a Declarar” (2010), ambos assinados por de Dany Boon.
Na rádio, ele também se fez ouvir, especialmente como cronista de humor a partir das notícias que iam acontecendo no mundo. E apesar de ter uma carreira prolífica na comédia stand up, Jérôme Commandeur tem dado mais nas vistas no grande ecrã, não apenas como ator, mas igualmente como realizador (Ma famille t’adore déjà, 2016; Irreductible, 2022).
Já a partir de quinta-feira, 30 de dezembro, ele vai chegar às salas nacionais em “Todos a Bordo!”, onde desempenha o papel de um pai habituado a decepcionar quem o rodeia e que desta vez, enquanto prepara a ida de férias dos seus filhos e dos filhos dos amigos, deixa as crianças sozinhas num comboio sem qualquer adulto para tomar conta delas. Será juntamente com um avô (André Dussollier) que ele parte numa aventura, tentando alcançar as crianças numa estação e impedir que os seus amigos e a mãe dos seus filhos saiba o que aconteceu.
“O que me agarra a um projeto é se ele me toca ou não de uma forma pessoal“, disse-nos o ator em janeiro passado. “É isso que me atrai e quando embarco vai apenas o ator que há em mim. Neste caso, a minha personagem vai-se revelar a si e aos outros. Isso agradou-me bastante e achei tocante. Todos nós temos preconceitos com os amigos e eles connosco, por isso acho que o filme vai criar empatia com muita gente.”. Sobre a estreia do realizador Benjamin Euvrard nas longas-metragens, Commandeur explica que essa aparente inexperiência é apenas no papel: “Ele já realizou muitos sketches, publicidade, etc. Mesmo que esta seja a sua primeira longa-metragem ele é alguem que conhece os sets e os atores”.
Humor nos dias que correm
“O que é preciso é ter uma visão, uma opinião.”, diz-nos o comediante quando questionado se nos tempos atuais, em que muito do humor feito é considerado de mau gosto, crê que a liberdade de expressão está em perigo. “Trabalhei na rádio e podia inserir no meu dia a dia humor do quotidiano. Era um pouco trabalho editorial, ou seja, punha a minha opinião sobre o que ia acontecendo no mundo. Nessa altura nunca punha a questão se ia muito longe ou não no humor que fazia, mas também é verdade que as redes sociais transformaram tudo. Punha mais a questão do que queria, o que é que as coisas que digo me dizem a mim. Em França somos um país muito agarrado, bloqueado mesmo ao passado, pois temos uma História e Cultura imensa. Isso me interessava. Gostava de abalar um pouco isso. Mas nunca questiono se vou ou não muito longe no humor.”
Faz então Commandeur qualquer exercício de auto-censura quando está a escrever um guião? A resposta foi clara: “Nunca me aconteceu, talvez porque sei naturalmente os meus limites. Cada um tem o seu estilo e o importante é que nunca sejamos privados do que queremos dizer. Mas se as coisas vão ser ditas apenas para conseguir o choque pelo choque, isso já não me interessa.”
Além de “Todos a Bordo!”, Jérôme Commandeur irá surgir brevemente nos nossos cinemas em “Olá, é a Mamã!“.

