“Bruno Reidal – Confissões de um Assassino”: o crime real que assombrou França

(Fotos: Divulgação)

Depois de dar que falar na Semana da Crítica no último Festival de Cannes, Vincent Le Port e o seu “Bruno Reidal: Confessions of A Murderer” (“Bruno Reidal – Confissões de um Assassino”) chega agora às salas de cinema nacionais, cortesia da Leopardo Filmes.

Baseado num caso real passado em Cantal, França, 1905, no filme acompanhamos de perto  o jovem seminarista Bruno Reidal, que nos primeiros minutos caminha em direção à polícia para se entregar por um crime que cometeu. Na prisão, sob interrogatório por semanas, ele enfrenta um painel de três médicos que tentam entender o seu impulso letal. Eles mandam Bruno reconstituir o seu passado, anotando a história de vida, tentando identificar os eventos ou anomalias que poderiam ter levado a tal atrocidade. É então que impulsos, violência e desejo sexual cruzam-se num filme, que -como o cineasta nos contou em Cannes- exigiu uma enorme investigação e um trabalho de escrita do guião durante 3 anos.

Afastando-se de outras obras cinematográficas que abordam assassinos, Le Port acima de tudo interessou-se pelos factos ocorridos numa época não muito retratada no cinema: “Li tudo o que havia sobre o tema e a iconografia à volta destes assassinos”, disse Le Port ao C7nema “O médico que o observou escreveu um relatório de mais de 100 páginas, juntamente com a história dele. Claro que há muitas deficiências e interpretações que eram as observadas na época, mas há coisas muito justas e precisas também. Coisas da sua sexualidade. (…) O primeiro plano do filme aparece o Bruno com uma espécie de sorriso. Não sabemos porquê. É então que o contracampo do sorriso aparece, uma carnificina. Queria um primeiro toque de empatia, mas mostrar depois o horrível”.

Bruno Reidal

Filmado rapidamente, com baixo orçamento, muitos ensaios e depois de um casting selvagem, foi foi preciso filmar as sequências mais gráficas e duras, que incluem o abuso sexual, “sem traumatizar de forma alguma o ator principal”, o jovem Dimitri Doré, de apenas 12 anos. “O impressionante dessa violação é que das 100 páginas escritas em torno de Bruno Reidal, isso é apenas uma linha. ‘Uma vez encontrei um homem e ele masturbou-me’. É isto! Como se fosse uma coisa perfeitamente normal, o que evidencia um trauma forte. Por isso mesmo optei por uma cena longa (…) para falar de algo horrível mas banal na época.

Ora é esse evento e outros na vida do jovem que contribuíram para o seu ato de estranha crueldade: instintos assassinos ligados ao prazer sexual contra os quais Bruno luta sistematicamente, como se na sua cabeça existisse uma outra força.

Depois de “Bruno Reidal”, Le Port filmou alguns trabalhos mais pequenos, como “La marche de Paris à Brest“, uma curta documental, e prepara a sua próxima longa metragem.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/znae

Últimas