«Plus One» (Mais Um) por José Raposo

(Fotos: Divulgação)

A sequela millennial (ugh) de Os Fura-Casamentos, mas sem metade da piada.

 

Ou então… uma comédia romântica que vai pulando de casamento em casamento com a mesma doçura com que um camelo atravessa um museu: foi este o pretexto encontrado pela dupla Jeff Chan e Andrew Rhymer para fazer deste Mais Um um filme sobre a amizade e o amor, sobre casamentos e outros desencantos.

Mais Um num sentido muito literal, na medida em que a história contada anda à volta de dois amigos encalhados – Maya Erskine e Jack Quaid nos papéis principais (mas já la vamos) – que por força das circunstâncias se tornam um par improvável numa data de casamentos de amigos e conhecidos; mas “mais um” sobretudo pelo vazio com que se fica depois de vermos uma produção que repete até ao aborrecimento uma série de lugares-comuns que já tivemos (o grande azar) de ver.

Apesar de tudo, e olhando para lá da premissa muito “poucochinha” da narrativa, não deixa de haver por aqui uma ou outra ideia que noutras mãos poderia ter dado outros frutos: logo para começar, a de organizar o filme em volta de pequenas vinhetas com os discursos mais ou menos aparvalhados dos padrinhos dos vários casamentos, que não só serve o propósito de dar uma lufada de ar fresco ao entorpecimento do enredo, como ainda acaba por atirar para cima da mesa um ou outro momento com alguma graça. Mas não chega, e isso não é o suficiente para salvar um filme prisioneiro dessa grande vedeta acabada de aterrar do olimpo chamada Jack Quaid.

Cheio de tiques de rapaz confundido pelo destino paradoxalmente solitário, a que o seu carisma irresistível o veta (pelas minhas contas, há mais ou menos 342 linhas de diálogo em que alguém comenta de forma mais ou menos babada a beleza do rapaz), o “filho da Meg Ryan e do Dennis Quaid” arrasta o filme para um festival de auto-congratulação do qual ninguém sai a ganhar.

 
José Raposo

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