«Ma» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Baseado no diálogo, no suspense e em pouca espetacularidade, será dos filmes mais leves a serem exibidos no Motelx

Sue Ann (Octavia Spencer) recebe a carinhosa alcunha de Ma pelos cinco adolescentes para os quais decide ser simpática: não só compra-lhes bebidas (eles são menores) como oferece a cave da sua casa para que eles possam “fazer o que quiserem” sem serem importunados. Slow burning, o enredo acompanha Ma a bisbilhotar a vida dos seus novos “amigos” no Facebook e também (a cidade é pequena) no mundo real – onde as suas relações e famílias vão aos poucos construindo um puzzle sobre cujos resultados não é possível adivinhar.

O realizador Tate Taylor vem de uma longa parceria com Octavia Spencer, ambos nomeados ao Oscar por As Serviçais em 2011 (com vitória da atriz). Spencer assina a produção executiva e é evidente que toda a tensão do filme é construída à volta de uma protagonista milimetricamente ambígua – uma bela oportunidade para a intérprete usar e abusar de expressões e recursos.

Temas de filmes como Carrie surgem aqui e ali (vingança, maternidade abusiva, “bullying”) para além de passar (de leve) pelo carác

ter tóxico das redes sociais como forma de combate à solidão e o uso a tecnologia a serviço do crime.

Baseado no diálogo, no suspense e em pouca espetacularidade, será dos filmes mais leves a serem exibidos no Motelx, onde as diversas pistas, falsas ou não, lançadas ao longo da narrativa garantem o interesse. Mas para um filme que aposta tudo na intensidade catártica do último terço, os minutos finais são dececionantes na medida em que Taylor parece demonstrar não ter nem agilidade nem personalidade para propor algo credível e fora do lugar comum – especialmente quando recria palidamente artifícios usados em filmes mais violentos (a menina com os lábios costurados).


Roni Nunes 

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