«Olla» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

A atriz Arianne Labed estreou-se na realização com a curta-metragem Olla.

Revelada como atriz em 2010 pelo filme Attenberg, pelo qual recebeu a Volpi Cup no Festival de Veneza, Arianne Labed estreia-se na realização com uma curta-metragem com  suficiente humor negro, sarcasmo e cinismo para agradar aos “seus tutores” Athina Rachel Tsangari e Yorgos Lanthimos, a quem – no final dos créditos – agradeceu.

A história de uma mulher de leste, Olla, que vai para França ter com o “namorado” que a “encomendou” pela internet, era motivo suficiente para um amontoar de clichés e material já tantas vezes dilapidado no Cinema e TV, a maioria das quais em dramas chorões com thrillers pelo meio. Porém, Labed, no meio de uma história repleta de lugares comuns, consegue dar corpo a uma mulher repleta de unicidade, uma sobrevivente transformada em Lola com um dia a dia que consiste em ir às compras e ser assediada pelos “mitras” do bairro, passar o resto dia em casa a tomar conta da sogra vegetal, e dançar sozinha à espera que o “banana” do marido chegue para, quem sabe, até a tratar mal e bater.

É um filme ligeiro, sobre um tema sério, tratado com ironia e sem florados por uma jovem cineasta que não se perde em surrealismos, não condicionando com isso qualquer engenho, encanto ou marca pessoal ao assumir a opção de um storytelling convencional.

E quantas vezes podemos ver alguém a masturbar-se enquanto come fiambre e olha para o telemóvel? 


Jorge Pereira

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