Seja The Rock e Kevin Haart (Central de Inteligência), ou Ice Cube e Haart (Policias em Apuros), ou até o próprio Dave Bautista e Amit Shah (Golpe Final), os “Buddy cop film” sempre encontram espaço na agenda das distribuidoras, especialmente depois de terem funcionado tão bem nos anos 80, 90 e 2000, tempos em que nomes como Eddie Murphy, Nick Nolte, Mel Gibson, Danny Glover, Will Smith e Martin Lawrence entregaram verdadeiros sucessos de bilheteira capazes de criar slots anuais para o mercado.

Stuber é mais uma dessas tentativas de colocar mais uma vez duas personagens completamente distantes na forma de atuar a terem de trabalhar juntas contra um ou mais criminosos. No centro de tudo por aqui está um agente (Bautista) que na senda de capturar um criminoso (Iko Uwais) que matou a sua parceira de trabalho requisita os serviços de um motorista da Uber chamado Stu (Kumail Nanjiani) para embarcar numa perigosa missão cheia de precalços.

Sim, perceberam bem. Stuber tem este nome porque mistura o nome do seu protagonista, Stu, com a Uber (isto vai além do product placement). De certa maneira, a fita parece a materialização e continuidade de uma piada sistemática nos filmes Deadpool, quando o nosso herói ia sempre para as lutas, ou fugia delas, num táxi conduzido por Dopinder (Karan Soni).

Claro está que os argumentistas nunca fogem da fórmula que conduzirá as personagens a descobrirem bastante sobre as outras, a aprenderem com os erros e a saírem fortalecidos no final como melhores pessoas, até a nível das relações familiares. Na verdade, salvam-se os atores desta enxurrada de sketches atrás de sketches ultra previsíveis e assinados sem grande engenho por Michael Dowse, onde apenas algumas piadas tecnológicas atuais funcionam e tudo o resto visita todos os lugares comuns, até no campo das comédias românticas (sim, também há disso por aqui) e das sequências de ação (provavelmente o filme com as sequências de ação mais enfadonhas da carreira de Uwais).

Por tal, Stuber é mais um filme domingueiro sem nada de verdadeiramente interessante para entregar para além do charme natural e humorístico dos seus atores, onde se destaca mais uma vez a forma displicente como Hollywood não sabe aproveitar a estrela de ação indonésia e continua a criar personagens extremamente calculadas e aborrecidas como a interpretada por Mira Sorvino.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
stuber-por-jorge-pereiraStuber é mais uma dessas tentativas de colocar duas personagens completamente distantes a terem de trabalhar juntas contra um ou mais criminosos.