Aventurar-se num género demanda uma de duas opções: talento ou conhecimento. Zara Hayes não possui nenhuma delas quando o assunto é comédia.

A realizadora de documentários estreia nos filmes de ficção e consegue, ao mesmo tempo, infantilizar as suas personagens e espectadores para conseguir fazê-los rir, ao contrário de tudo aquilo que o projeto propõe.
Tudo é Possível tem Diane Keaton como Martha, uma senhora com uma doença terminal e sem filhos que decide mudar-se para um condomínio de idosos para viver o fim de sua vida. A trama, inteiramente trabalhada em todos os clichés de género possíveis, ainda consegue implorar por risadas em momentos sofridos de um argumento completamente previsível e impessoal feito por Shane Atkinson – também estreante nas longas-metragens.
O chamariz de todo o projeto decai sobre as suas atrizes, já consagradas na indústria: Diane Keaton, Jacki Weaver, Phyllis Sommerville, Pam Grier e outras. Até mesmo as atrizes não conseguem trabalhar nas possíveis camadas das suas personagens, visto que o argumento não as cria. Além disso, as piadas pontuais e pobremente desenvolvidas podem até ganhar o público em alguns momentos, mas na sua maioria, são apenas piadas “aproveitadoras” e com pouco detalhe pessoal.
A temática do “idosas, mas ainda capazes” é uma fonte por si própria de clichés, entretanto uma análise não deve decair somente sobre o seu tema, e sim como ele é abordado. Infelizmente, Hayes não tem malícia para contar-nos nada além do que já sabemos e vimos, tudo isto ainda embalado num trabalho de edição desleixado, que transforma inclusive a dança final – e, supostamente, de sucesso – em algo completamente fora de ritmo e embaralhado, causando no espectador uma sensação de falhanço completo da apresentação por qual tanto “esperávamos”.
Infelizmente, o ciclo das atrizes consagradas quando jovens que são colocadas de lado após envelhecerem repete-se. E, aparentemente, o novo género de filmes sobre senhoras ricas e velhas não funciona com o público atual.

Ilana Oliveira

