«Dark Phoenix» (X-Men: Fénix Negra) por Guilherme F. Alcobia

(Fotos: Divulgação)

Após 7 filmes* produzidos ao longo de duas décadas, a saga X-Men chega ao fim com este «Dark Phoenix» – se entretanto os estúdios da Fox e da Marvel não encantarem um novo prolongamento da série. Mas tudo aponta para que esta seja a última aventura do grupo. E que aventura insossa que é.

Este último capítulo centra-se na segunda persona de Jean Grey, a mais poderosa dos mutantes deste universo. Já em The Last Stand (O Confronto Final) o passado da personagem havia sido revelado, mas os eventos ocorridos em Days of Future Past (Dias de Um Futuro Esquecido) desfizeram esse passado e reescreveram a história. É esse recontar do nascimento de Phoenix que aqui se tenta fazer, e, embora facilmente seja uma versão melhor que a de The Last Stand– o pior filme da saga –, este está longe de ser um final brilhante.

A infância de Jean, nesta versão, é totalmente fastidiosa, assemelhando-se a todas as histórias de origem dos X-Men: um evento traumático separa-a da família até que o Professor X a acolhe na sua escola de mutantes. Quase duas décadas depois, encontramo-la numa missão ao espaço, juntamente com as personagens habituais, que arriscam a vida para salvar uma equipa de astronautas, cuja nave ficou descontrolada quando entrou em contacto com uma força cósmica poderosíssima. Num ato heroico, Jean fica para trás e é consumida por essa força – ou, na verdade, é ela que a consome. Eis então que os seus poderes ficam altamente amplificados e Jean se torna invencível, o que desencadeia uma série de eventos por parte daqueles que ora a temem e querem destruir, ora desejam transferir o seu poder para outro corpo.

Numa multidão de personagens, o elenco habitual, desde James McAvoy a Michael Fassbender e Jennifer Lawrence, não traz nada de novo, visto que tão pouco lhes é dado a fazer. Vinda de Game of Thrones (Guerra dos Tronos), Sophie Turner interpreta Jean competentemente, mas a sua potência é menorizada por Jessica Chastain que, como vilã, é o ponto alto das caracterizações. Porém, infelizmente, em Dark Phoenix não só o enredo é previsível, como as próprias falhas do argumento o são: personagens cujas motivações são fracas e incoerentes, diálogos de exposição desnecessários ou falas melodramáticas irrisórias são elementos que têm estado presente ao longo dos filmes da saga e que aqui se mantêm. E com um argumento desta natureza, dificilmente os atores conseguem cativar o público.

Talvez o mais frustrante neste filme seja o facto de não haver nada particularmente bom, nem nada particularmente mau sobre ele; aqui não há nada para amar, nem nada para odiar. É um filme de ação medíocre e tal não satisfaz, tanto mais porque se trata de um final anti-climático para a saga. Se há um pormenor a reter é a importância atribuída pelo guionista-realizador Simon Kinberg ao papel das emoções e do trauma no poder dos X-Men. Já em filmes anteriores a pergunta tinha sido lançada: o lado emocional das personagens torna-as mais fracas ou tão mais poderosas? A isto Dark Phoenix responde inequivocamente, mas é a única resposta que esclarece.

*Descontando a trilogia de spinoffs Wolverine, mais o par de filmes sobre Deadpool.


Guilherme F. Alcobia

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