É interessante que Rocketman seja realizado pelo substituto de Bryan Singer no seu último Bohemian Rhapsody.

Com uma filmografia relativamente pequena enquanto realizador, Dexter Fletcher teve pela primeira vez o seu nome na boca de muitos após assumir a realização da cinebiografia dos Queen após a saída conturbada de Singer da produção, mesmo sendo ele a assinar o mesmo.
Interessante, porque as comparações não devem parar tão cedo. Os dois contam a história de um ícone musical do rock (mesmo que de diferentes épocas e estilo) extremamente talentoso, imensamente chamativo pela sua presença de palco e gay. Entretanto, Rocketman acerta em absolutamente tudo o que Bohemian’ teve o infortúnio de errar.
A realização de Fletcher constrói um enredo voltado para a captação de toda e qualquer característica do seu protagonista, e isso faz com que colocar foguetes ao pé de um homem e pô-lo a voar não seja de todo mal, ao contrário, significa que o realizador não teve medo de incorporar as perceções de mundo de Elton John e, além de tudo, de reverenciá-las. Taron Egerton prova a cada novo projeto que tem uma capacidade dramática longe da caricata, e os trajeitos adquiridos para o papel podem até terem sido a mais do que o real. Entretanto, tem carisma e adquire um equilíbrio humano e carinhoso para com o cantor ainda vivo. Egerton, que já cantara I’m Still Standing para o seu trabalho de dobragem como a personagem Johnny em Sing! (Cantar, 2016), faz um trabalho vocal competente e que demonstra a sua capacidade de ser multifacetado, até porque, não esqueçamos, Rocketman é ainda um musical.
No elenco de apoio, Jamie Bell faz a vez de Bernie Taupin, o letrista de toda a carreira de Elton John. A química entre os atores faz com que a personagem de Taupin seja mais credível e menos insossa, já que este poderia ser apenas mais um papel do “mentor-amigo”. O mesmo acontece com Bryce Dallas Howard, intérprete da mãe de Elton John, que mesmo com um CGI um pouco decadente utilizado para engordar a atriz na sua fase mais velha, ainda consegue ser uma mãe ao mesmo tempo relapsa e vítima. Infelizmente, Richard Madden ainda faz o produtor-vilão John Reid.

A montagem é algo também relevante nesta longa-metragem, já que o retrato é feito desde a tenra idade de Reginald Dwight até sua transformação em Elton John e como ele se encontra atualmente. Os intervalos temporais de, por vezes, mais de 5 anos, são algo que consegue por vezes ser subtil como uma troca de roupas, mas outras vezes cede sobre arquétipos cinematográficos como a rotação da câmara em 360 graus.
Por fim, Rocketman é uma cinebiografia justa para com os retratados, porém, não será elevada ao reconhecimento da indústria norte-americana, como ridiculamente aconteceu com seu antecessor Bohemian Rhapsody, já que é lançado à sombra do mesmo. Mas será mesmo que é necessário tal status?

Ilana Oliveira

