
Junte um enredo completamente genérico a um plot twist completamente previsível. Não esqueça também de chamar um ator já consagrado na indústria e retratar personagens há tempos conhecidos e queridos pelo seu público. Pronto, temos então Pokémon Detetive Pikachu. Entretanto, porque mesmo assim ele não faz mal a quem assiste?
Apesar dos pesares, Detetive Pikachu é mais uma daquelas obras que não podem ser enquadradas dentro do quesito “mau”, porque cumprem com a sua função: entreter. O seu valor de peça de entretenimento com uma trajetória engajante a partir de uma personagem central como a vivido por Justice Smith, dentro dos seus trabalhos memoráveis temos apenas Ezekiel (protagonista da série da Netflix The Get Down, criada por Baz Lurhmann), e o seu aspecto visualmente rico fazem com que não só a faixa-etária que crescera a acompanhar Ash, Pikachu e o Team Rocket saiam satisfeitos com o que viram, como também os seus pais e os realmente miúdos que caíram ocasionalmente na sala de cinema.
Pikachu é realmente o charme de toda a longa-metragem. Com um CGI que realmente favorece o seu aspecto “fofinho” e felpudo, combinado à voz iconicamente marcada por ser a do anti-herói Deadpool (Ryan Reynolds), adquire-se uma duplicidade jocosa sobre a personalidade de uma personagem tão conhecida. A decisão de não abusar em demasiado dos limites das convenções do “bom comportamento” são uma vantagem para comprar este pokémon tal como é retratado.
Pena que o CGI não favorece a imagem de Mewtwo, o “antagonista”, como faz com Pikachu. Aparentemente, gastou-se tudo o que podia ao inserir todos os pokémons possíveis dentro da trama, e no final sobrou pouco dinheiro para a criação do “pokémon mais poderoso de todos“.

No núcleo “inanimado” do enredo, nada é de extrema valia. Bill Nighy, que dá a vida ao visionário Howard Clifford, é o responsável por um dos plot twists mais decifráveis dos últimos tempos e não consegue atingir uma criação de personagem além das suas usuais expressões, já vistas em diversas outras obras, e Kathryn Newton, a jornalista Lucy, que também possui carisma, é agraciada com uma personagem tão banalizada quanto o resto do argumento.
Pokémon Detetive Pikachu é o tipo de filme que não faz mossa, mas peca por ser extremamente genérico e, devido a isso, esquecível.

Ilana Oliveira

