
Em animação stop-motion, Mr. Link possui o seu charme ao realçar uma bochecha rosada, uma fluidez não-orgânica dos movimentos e uma cinematografia que surpreende na utilização de cores quentes e nos seus contrastes.
Com um protagonismo dividido entre o último dos Sasquatches, espécie mitológica de “pé grande” de zonas florestais, o senhor Link, e o explorador Sir Lionel Frost, a trama conta sobretudo uma história de amizade e embarca-nos numa road story até a idealizada casa de uma espécie à beira da extinção, Shangri-La. Frost, à procura de provar sua genialidade e valor, compromete-se então a levá-lo até lá, com a adição da parceira Adelina Fortnight ao meio do caminho.
Mais uma produção do estúdio Laika, responsáveis pelos geniais Kubo and the Two Strings e Coraline, o stop-motion neste projeto é visualmente perceptível no início da longa-metragem com os movimentos em fases. Entretanto, isto perde-se ao decorrer da história, o que não dificulta entreter-se também com as variadas criações ultra-detalhadas de cenários que alternam entre cidades londrinas, uma casa tipicamente mexicana, florestas e, por fim, a longínqua e congelante aldeia de Shangri-La. Somente o visual e as suas cores conseguem satisfazer os olhos de crianças e adultos.

A narrativa de Mr. Link, entretanto, torna-se enfadonha após repetir diversas vezes piadas sobre a falta de capacidade de interpretação de figuras de linguagem ou ironias do seu protagonista, o sasquatch. No início, a justificação para que um animal falasse inglês poderia ser necessária para a personagem de Frost, mas o guião ainda insiste em dar razão para algo facilmente superável.
O trabalho de dobragem feito por Hugh Jackman, que dá a vida a Sir Lionel Frost, é essencial na criação de uma personagem com evolução de moral e na perceção das suas características como, por exemplo, sua superioridade social. Todo o trio completo por Zach Galifianakis, como o senhor Link, e Zoe Saldana, como Adelina, consegue atingir o espectador de maneira a criar camadas sobre as suas personagens.
Toda a aproximação e crédito que damos a Link e à sua crença de que os habitantes de Shangri-La são parte de sua família estão por conta de Galifianakis, que conquista e ganha o personagem para si, com um humor em sua voz e em sua percepção de mundo.
Mr. Link, por fim, vale como visual e ganhará o seu público pelo carisma do protagonista.

Ilana Oliveira

