«Mata-me Por Favor» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

No bairro de classe média alta da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma série de homicídios aterroriza os adolescentes de uma escola. Aos factos incompletos juntam-se várias especulações, a curiosidade e o fascínio mórbido, continuando, ainda assim, a vida e a descoberta juvenil a desenrolar-se de forma interrompida. Com o progredir do filme, a ausência de qualquer adulto e de investigação policial parece apontar para algo diferente.

Crescer pode ser assustador e mesmo vivido como uma espécie de morte. Ao criar este falso slasher, Anita Rocha da Silveira consegue focar-se neste período da vida, sem ridicularizar estes medos e os conflitos. Com o formato adoptado, várias são as interpretações que se podem fazer sobre o que se vê, sem haver uma que seja oferecida pela realizadora. Assim, este pode ser visto como um possível retrato da adolescência moderna, com toda a parafernália tecnológica associada, mas essencialmente focado nas relações pessoais.

Se há algum defeito a apresentar é o contraste entre o formato escolhido e o estilo visual que nem sempre o consegue acompanhar ou nega-o completamente. Isto é, porque, na realidade, não é mesmo de um filme de terror que se trata, mas de algo diferente. Porém, este contraste nem sempre consegue ser resolvido de forma satisfatória e o terror acaba por ser reduzido, ou mesmo anulado. Nem as imagens mais fantásticas / gory que surgem acabam por conseguir provocar esse temor.

Outra crítica possível é a do privilégio e do excesso de especificidade local. A adolescência apresentada é a de uma classe privilegiada sem grandes preocupações económicas (mesmo que os pais estejam sempre ausentes) e isso poderá dizer pouco a quem não faça parte dessa classe, cujos temores e preocupações são outros. Por outro lado, a influência das correntes evangelistas e outros elementos semelhantes não se traduzem tão bem para quem está deste lado do oceano, onde (ainda!) não se sente dessa maneira.

O Melhor: A ideia.

O Pior: O contraste entre o formato escolhido e a imagem.

João Miranda

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