«Pride» (Orgulho) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Prova A: a aliança improvável entre mineiros da União Nacional e ativistas LGBT na luta contra as políticas de Tatcher (se chocante nesta era pós-casamento entre pessoas do mesmo sexo para quem desconhecia a história, imagine-se em 1984!), aqui transformada num filme profundamente adorável à boa tradição britânica – a mesma que nos trouxe nos últimos anos filmes como “The Full Monty”, “Billy Elliot” e “Calendar Girls”.

Veteranos do pequeno e grande ecrã como Imelda Staunton e Bill Nighy juntam-se assim a perfeitos desconhecidos (George McKay, Ben Schnetzer, …) num conjunto forte e coeso. Se há sempre a intenção de mostrar o quão socialmente importante este filme é, tanto agora como há 30 anos atrás, provando que não mudamos assim tanto em certos campos, e que a luta pelas desigualdades sociais ainda não acabou, este manifesto vem acompanhado de um humor imparável que demonstra um poder de encaixe sobre a sua própria seriedade, pondo ao canto os poucos detratores capazes de o acusar de ser “lamechas” ou “propagandista”.

Perda deles, pois temos aqui um dos filmes mais puramente agradáveis (e educativos) do ano.

O melhor: a mistura perfeita entre drama social e comédia de situação – tanto um como outro géneros genuinamente britânicos, afinal de contas; o elenco a apimentar o material

O pior: Poder ser descartado como filme de domingo à tarde por muito boa gente.


André Gonçalves

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