
Baseado na novela póstuma de Stefan Zweig, A Journey into the Past (A Jornada ao Passado), A Promise é um drama ambientado nas vésperas da Segunda Guerra Mundial que descaradamente tenta vender-se como um romance de primeira linha, como se a delicadeza fosse confundida com uma reconstituição de época encharcada com elementos de Jane Austen. Um amor impossível é o “carvão” desta trama de domínio e luxúria, a tomada de posse amorosa, resultante da típica história de “corno” e todo um vácuo emocional e dramático no seu leque de personagens.
Mesmo assim, Rebecca Hall dá nas vistas como a “dona de casa desesperada” que enlouquece no meio de correspondência marginal e desejos carnais não consumados. Ela é uma mulher casada e bem sucedida na sociedade alemã como a esposa de Herr Hoffmeister (Alan Rickman), fundador e gestor de uma ascendente fábrica de aço, que esconde uma paixão secreta pelo secretário geral da empresa, o aprendiz e protegido do seu marido, Friedrich (Richard Madsen).
Porém, nem desejo nem outra coisa consegue Patrice Leconte efectuar aqui. A começar pela sua câmara, totalmente isente de cumplicidade para com o espectador, marcada por movimentos e planos nervosos, como também atrapalhados close-ups com tremores esporádicos e sem prévio aviso, registos injustificáveis na narrativa, que auferem uma sensação de pleno desperdício artístico. Não é só o trabalho de Leconte que arruina uma narrativa enfadonha, mas também o próprio enredo literário que fora convertido num aspirante a telefilme guiado pela minúscula ideia de cinema, concretizando sequências de humor involuntário como a própria desfragmentação do desenvolvimento dos seus personagens.
Embora, há que destacar o trabalho fotográfico do português Eduardo Serra, cuja noite continua a ser o seu genuíno refugio, a mais fiel tela deste “pintor” e o pequeno mas curioso desempenho de Shannon Tarbet. Por fim, como fita ambientada na Alemanha falada em inglês, deve-se valorizar o facto deste não possuir qualquer tentativa de sotaque artificialista. Menos mal!
O melhor – a fotografia de Eduardo Serra e os desempenhos de Rebecca Hall e Shannon Tarbet
O pior – a realizador de Patrice Leconte e a intriga “despedaçada” do livro de Stefan Zweig

Hugo Gomes

