
The Quiet Ones – Experiência Sobrenatural bem pode ser resumido como uma espécie de “best hits” do panorama atual do género de terror e é por esse motivo que esta variação de John Pogue nos soa familiar e, pior que de tudo, aborrecida.
Baseado numa experiência verídica ocorrida nos anos 70, levada a cabo pelo Dr. Alan Robert George Owen (primeiro lugar-comum, a inspiração real como publicidade gratuita), The Quiet Ones remete-nos a um professor universitário (Jared Harris) e a três alunos seus que tentam explorar os limites da força psíquica da mente humana e com isso “curar” uma paciente, Jane Harper (Olivia Cooke), que acredita estar possuída por uma entidade que se autodenomina por Evey. Mas como é óbvio, para além disto não ser tarefa fácil, a entidade que tentam erradicar é demasiado agressiva para ser uma simples manifestação mental e os elos entre os diferentes elementos da pesquisa são abalados pelas diferentes éticas e dilemas.
Trata-se de um enredo que já por si não traz novidade alguma, alternando o estilo entre o modelo clássico e o found footage, aqui inserido de maneira a dar um certo teor credível e ao mesmo para impor um dinamismo. O problema é que nem um modelo, nem outro conseguem surpreender, muito menos ser sólidos na sua entrega.
Os desempenhos são demasiados planos para aspirar ao realismo e as situações, para além de vistas e revistas, são desinspiradas e “invocadas” na narrativa à “martelada”. Nesse aspeto, o found footage, demasiado rígido nos seus clichés, falha por tornar-se demasiado plástico e forçado. Por outro, o tom clássico é despido de qualquer profundidade psicológica, sendo este um elemento crucial na criação de um ambiente tenebroso capaz de assustar as audiências ou na força da sugestão como variante do terror.
O resto é mais do mesmo e ainda por cima cansa e mesmo que The Quiet Ones esteja minado de twists e alusões -estruturando o filme com todos os moldes do cinema de assombrações – o resultado é meramente esquecível e frígido. Neste tipo de proposta, o de revisitar o revisto, The Conjuring – A Evocação, de James Wan, fez bem melhor.
O melhor – Servir de The Quiet Ones como um estudo aos mais variados lugares-comuns do cinema de terror industrializado.
O pior – nada de novo, nada de assustador, nada de credível.

Hugo Gomes

