
Já que existe a Guerra dos Tronos, porque não a Guerra do Quintal? Má Vizinhança é o novo filme de Nicholas Stoller, um “tarefeiro” competente no registo da comédia operando na sombra de Judd Apatow (Knocked Up!, Virgem aos 40). Contudo, nesta nova incursão cómica o realizador do bem-sucedido Um Belo Par de … Patins declara a sua emancipação, talvez com alguns pontos a seu favor e outros nem tanto, mas já lá vamos.
Má Vizinhança remete nos ao casal Radner (Seth Rogen, Rose Byrne), pais “babados” de uma bebé traquinas que residem num pacifico bairro. Pacifico? Era, até à chegada de uma Republica Universitária, chefiada por Teddy Sanders (Zac Efron), um jovem com a ambição de organizar a mais lendária das festas académicas. A partir daqui instala-se na outrora harmoniosa vizinhança uma rivalidade pela ordem e desordem, com constantes sabotagens em ambos os lados.
Eis uma comédia dos grandes estúdios, talvez o melhor que arrecadaremos este ano. Má Vizinhança soa como uma panóplia dos temas elementares das fitas apadrinhadas por Apatow, visto Stoller ter saído da mesma escola. Talvez seja por isso que esta nova aposta cómica nos soe como uma incursão familiar e pretensiosa, tentando acima de enriquecer as suas personagens, principalmente as secundárias, criar subenredos com o intuito de os humanizar. Enfim, tudo acaba por resultar no mesmo: os gags ocasionalmente divertidos (poucos) são gastos e velhos, transfigurados num modelo que imperativamente tenta ser sofisticado. Os secundários são caricaturais e fraudulentos com os objetivos da fita e as tramas delineadas que referi anteriormente resultam em impasses retardantes no ritmo.
Depois temos os protagonistas: Seth Rogen é um daqueles atores que deve ser “digerido” em pequenas doses e uma Rose Byrne a submeter-se a um sotaque australiano forçado e falso. Apenas Zac Efron escapa à risibilidade de “character development”. O jovem ator tenta sobretudo afastar a imagem de “bom rapaz” da trilogia High School Musical e semelhantes. Em Má Vizinhança consegue uma eficaz sátira dessa mesma imagem. Para além disso, e talvez mais difícil de acreditar, Efron apresenta o carisma que a dupla Rogen/Byrne não possui.
Nicholas Stoller consegue assim um filme de momentos, um ensaio cómico desequilibrado em ritmo e enfraquecido no geral pelo seu leque de personagens, sendo o resultado final decepcionante, especialmente porque Má Vizinhança tinha a ambição de ser mais que num mero “atira-gags“. Um divertimento passageiro mas medíocre!
O Melhor – Zac Efron
O Pior – os gags batidos que já chateiam, o tom de Apatow adquirido por Stoller

Hugo Gomes

