
Ricky, um jovem de 13 anos com Autismo, perde-se no metro de Nova Iorque. Os seus pais são imigrantes sem documentos o que faz com que tenham receio em recorrer às autoridades para participar o seu desaparecimento. Entretanto o Furação Sandy ameaça toda a costa de destruição. Stand Clear of the Closing Doors mostra as dificuldade de Ricky em interagir com o mundo, da sua família com a sua ausência e com o bairro em que vivem e dos habitantes de Nova Iorque com o furacão que se aproxima.
Sam Fleischner, o realizador, consegue criar um ambiente de tensão e, ao mesmo tempo, não cair em sentimentalismos fáceis, mas a estrutura que escolheu para o filme, torna-se rapidamente repetitiva, com as cenas a focarem-se em Ricky no metro e nas pessoas que por lá passam ou na sua mãe preocupada. O que seria melhor servido por uma curta é aqui arrastado com cena após cena de comboios de metro, de peculiaridades de Ricky e da sua maneira de ver o mundo e da mãe preocupada. Mais, se os pais estão tão preocupados (a mãe falta alguns dias ao trabalho e o pai perde sete semanas de salário, de um trabalho que estava a fazer longe da cidade, que abandona para procurar o filho) a cena de sexo (que felizmente não se vê, mas que nos dá direito ao cheap thrill de os ver nus) não é só constrangedora, como irrealista.
O pior do filme é mesmo o seu fim. Se tivémos uma repetição infindável de cenas de Ricky no metro, cheias de um simbolismo que tanto parece ser real, como ser só da cabeça dele, de repente esse simbolismo funcionar é uma saída fácil para uma situação na qual o realizador parecia estar preso. O final chega abrupto, sem ser merecido e incompreensível. Parece ser mais o que o realizador acha que devia ser o fim do filme do que o fim a que a história se parecia dirigir. Pena.
O Melhor: Tentar representar uma forma de ser diferente da que conhecemos.
O Pior: O fim apressado e não merecido; a estrutura repetitiva.

João Miranda

