«Mambo Cool» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Mambo Cool retrata a experiência de algums marginais que vivem num conjunto de casas arruinadas na Colômbia. As várias experiências vão-nos sendo relatadas pelas próprias pessoas, não havendo mais em comum entre elas do que o consumo ou venda de droga e a Salsa.

É um filme pensado, antes de tudo, pela imagem, com um cuidado na iluminação das imagens, as cores contrastantes, as texturas dos materiais degradados, o shallow focus quase constante. O segundo ponto sobre o qual se baseia é o testemunho das pessoas que aqui habitam. A este ponto falta a coerência do primeiro, com a qualidade do discurso a dispersar-se entre o inane até ao incompreensível, impossibilitando perceber até que ponto é tudo escrito pelo próprio Gude (também argumentatista) ou baseado na experiência de quem o diz. O último ponto-base do filme é, como não podia deixar de ser, a música. Aqui tenho um problema: sou incapaz de distinguir entre uma Salsa e um Mambo (e uma pesquisa na net não ajuda), mas parece-me que são coisas diferentes. Agora, se estão sempre a falar em Salsa, porque raio se chama o filme Mambo? A música que se ouve é aquela que se poderia categorizar como “latina”, numa expressão de ignorância e preconceito da minha parte, mas admito a minha completa incapacidade de perceber qual o estilo correcto. Dito isto, a música é, neste filme, um MacGuffin, sendo quase o ponto, excluindo a droga, claro está, que une a vida de todas estas pessoas.

O filme é problemático e cai no erro de glorificar o consumo de droga, com a sua estetização em demasia e com o “Cool” associado ao título. Aliás, se o Mambo do título é mesmo Salsa e se o Cool acaba por não o ser, os problemas do filme começam mesmo pelo seu título. Talvez “Salsa Estragada” o representasse melhor.

O Melhor: A fotografia; a luz.
O Pior: A glorificação da droga.


João Miranda

 

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