«Les Apaches» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Um grupo de amigos invade uma noite uma casa de férias na Córsega para poder usar a piscina. Um conhece a casa porque ajuda os pais a limpá-la de dia, mas, outro convida mais dois conhecidos à sua revelia e, como seria de esperar, alguns objectos acabam por ser roubados. Quando o roubo é descoberto, as relações pessoais entre todos vão ser postas à prova. A Córsega tem uma estrutura social complexa, com fricções entre os corsos, os marroquinos e os franceses, originando todo o tipo de complicações adicionais para este grupo de amigos, já de si marginalizado. Na tentativa de resolver os problemas, um deles tenta devolver os objectos roubados, mas desconhece que outro já tinha tirado uma espingarda de caça gravada para tentar vendê-la, o que provoca uma ruptura interna no grupo, uns acreditando que o primeiro os tinha denunciado, o outro a fugir dos franceses que o ameaçam se não devolver o que falta. Tudo vai escalando até ao ponto em que, por causa da irredutibilidade de alguns, a violência estala.

Les Apaches é o segundo filme de Thierry de Peretti, cujo título poderia ser traduzido para português como “índios”, pensando na conotação pejorativa com que é usado para marginais. É um filme que explora as estruturas sociais complexas da Córsega e a vontade da juventude das classes desfavorecidas de participarem do hedonismo e do consumo conspícuo (que pensam conferir status) das mais ricas. Mostra também os extremos a que o desespero e a percepção de falta de opções podem levar, sem querer nunca moralizar sobre elas. O realizador consegue mesmo, com a última cena, levar-nos a questionar a nossa participação nesta sociedade, ao mesmo tempo que nos mostra o contraste entre a futilidade de uns e o desespero de outros. Um filme forte, com uma mensagem social pertinente.

O Melhor: A complexidade de relações sociais; a crítica à sociedade moderna.
O Pior: Uma das personagens centrais é tão desagradável que se torna difícil torcer por ele.


João Miranda

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