«L for Leisure» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a História é algo vivo, sendo representado de formas diferentes em alturas diferentes (bem como o Futuro, veja-se como muda a ficção científica). Querer representar os anos 90, vinte anos depois de terem passado, será uma experiencia muito diferente de os ter vivido. Em L for Leisure, Lev Kalman e Whitney Horn, nascidos no início dos 80, tentam reconstruir essa época da História, mas, tendo em conta a idade que tinham quando por ela passaram, menos pela sua experiência directa, do que pela dos filmes e séries de televisão que eram produzidos na altura. Há, assim, para quem a viveu, uma sensação de sobreposição entre o familiar e o estranho, aumentada pela diferença entre as culturas (como já na altura havia, não fazendo muito sentido os Beverly Hills 90210 e Baywatch).

L for Leisure é um filme divertido, onde alguns professores e assistentes universitários se dedicam ao hedonismo e à preguiça, enquanto conversam sobre vários temas. Construído de forma episódica, é possível encontrar nele uma narrativa condutora, apesar de não ter sido essa a ideia dos realizadores, mais interessados na ideia do que terão sido os 90 e nos temas dos media nessa altura. E essa é a chave para este filme, um filme de texturas e de som (com uma banda sonora muito boa, escrita por John Atkinson e disponível aqui, marcado pelo ritmo das férias e do calor e dos dias inteiros sem nada para fazer.

A sua duração curta é outro dos pontos positivos, já que este poder-se-ia tornar num filme rapidamente aborrecido caso se tivesse demorado um pouco mais. Conclusão: revisitar uma construção mediática dos anos 90, numa experiência que poderá aproximar-se a passar férias com as personagens dos filmes e séries dessa altura, na preguiça dos dias que se estendem sem qualquer exigência.

O Melhor: A imagem e o som.
O Pior: Há uma sensação estranha para quem viveu a época, em que se torna difícil reconhecer nela a nossa experiência.


João Miranda

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